terça-feira, 24 de outubro de 2017

Entretanto no cérebro das pessoas que pensam demais


É um dia frio de Outono. Joana vai ao supermercado. À porta, uma pedinte Romena cumprimenta a Joana de forma educada. Joana decide comprar algo para a pedinte no supermercado. A primeira ideia é comprar um saco de pão.

"Mas o pão não tem nutrientes nenhuns. E se lhe comprar um daqueles smoothies que eu costumo comprar para beber no trabalho? Contém fruta e é saudável. Vai o de morango e banana ou o de manga? Hmm. E se ela não gostar de fruta? Pode até ser alérgica a morango. E além disso está frio lá fora e provavelmente não lhe apetece bebidas frias. E se comprar um pacote de bolachas de chocolate? Não tem nutrientes nenhuns mas se calhar ela não costuma comprar 'mimos' desses. Mas e se ela não gostar de chocolate? A minha irmã Susana não gosta."

Acabei por comprar as bolachas de chocolate, mas não sem as minhas dúvidas. Ela agradeceu, de forma educada. Espero que goste de chocolate.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Outono em Estocolmo, Suécia


Quanto melhor conheço esta cidade, mais gosto dela. Estas fotos são de um passeio na ilha Långholmen. É fácil lá chegar. Por exemplo: da estação central (T-Centralen), apanha-se a linha vermelha do metro em direcção de Norsborg ou Fruängen e sai-se em Hornstull. É um percurso de 7 minutos. E de Hornstull vai-se a pé, fica pertinho.

Informação à navegação: este é um post agendado. Hoje estou de luto pelo nosso país, de coração aos pedaços. Se publico este post na mesma, é apenas por acreditar que em alturas como esta, precisamos todos de um pouco de positividade, de luz e de reter uma (espécie de) sensação de normalidade no meio do caos. Os meus pêsames aos afectados por esta tragédia. Os meus pêsames ao nosso país encantado.








Já de volta a Hornstull
 






 

sábado, 14 de outubro de 2017

Animais em restaurantes?


O meu feed do Facebook informa-me que os animais de estimação irão ser permitidos nos restaurantes Portugueses. A minha reacção inicial foi "...e já se faz tarde" mas quando pensei melhor no assunto apercebi-me que este é um passo enorme e muito impressionante num país que está extremamente atrasado no que diz respeito ao tratamento dos animais comparativamente a outros países europeus. 

Na Suécia os animais são permitidos em muitos estabelecimentos comerciais. Não diria todos, mas a maioria. Mas essa não é a única diferença. Na Suécia não se vende animais em lojas de animais (evita compras espontâneas e contribui para diminuir a probabilidade de abandono). As pessoas inscrevem os seus companheiros de quatro patas em cursos de obediência logo nos primeiros meses de vida. Os animais podem andar de transporte público. Há bastantes locais de trabalho que admitem animais de estimação (desde que não haja pessoal com alergias). Nunca vi cães amarrados no quintal. Deixar cães sozinhos em casa um dia inteiro é considerado tabu e muitas pessoas vão a casa na hora de almoço para levar o cão à rua. Quem não pode ir a casa, opta muitas vezes por levar o cão para a creche. Sim, há bastantes creches para cães. Já presenciei mil vezes pessoas que vão embora de festas e outros eventos mais cedo porque têm o cão à espera em casa. Não é um mito. É simplesmente uma forma muito diferente de ver e tratar os animais. Sim, dá trabalho, muito trabalho, e certas coisas podem até parecer exageradas. Mas o que é certo é que em quase 9 (!) anos nunca vi um cão abandonado, e os patudos são tratados com mais dignidade. 

Não sei se algum dia chegaremos a este ponto em Portugal, mas todos os sinais de progresso são bem-vindos.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

O post anual sobre o Outono na Suécia


Estamos na altura do ano em que o meu feed do Facebook é invadido fotos de cogumelos. Uma das grandes tradições Suecas é passar fins-de-semana de galochas na floresta a apanhar cogumelos quando chega o Outono. Há imensos cogumelos, e a grande maioria não é comestível, mas os Suecos aprendem desde pequeninos a reconhecer os comestíveis. Começam já no infantário: os pais preparam a marmita com sandes e chocolate quente, as professoras do infantário vestem casacos impermeáveis e coletes reflectores aos meninos e os meninos lá vão passear na floresta, ver cogumelos e afins, faça chuva ou faça sol. (Por falar em diferenças culturais... :) )


Não comestível mas enorme, quase do tamanho da minha mão


Estes pequeninos são os trattkanteller e são muito bons


Não comestíveis, mas enormes




Este parece um daqueles cogumelos que se vê nos contos infantis


Teia de aranha, cheia de orvalho




A colheita final: trattkantareller (castanhos e amarelos, a grande maioria), kantareller (amarelos) e Karljohan (grandes). Dão para congelar, mas primeiro devem ser cozinhados. Numa panela, mete-se os cogumelos e um pouco de sal, em temperatura muito baixa. Os cogumelos vão libertando água e cozendo lentamente na sua própria água. Deixa-se cozer entre 10 a 15 minutos. Depois de arrefecer, estão prontos a congelar.


Estas bagas chamam-se rönnbär





Mesmo depois de quase 9 anos (!) neste país, ainda acho o Outono Sueco um charme.


segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Home is a feeling


O ser humano é muito adaptável e o emigrante não é excepção. Desde que deixei o país, mas especialmente nos últimos anos, tenho descoberto que, na ausência de Portugal, a sensação de "estar em casa" manifesta-se em muitos sítios, independentemente da localização geográfica. Nunca percebi bem a expressão "cidadão do mundo". Será mais ou menos isto? 

Em Palma vi velhinhas à janela de casa, a vigiar atentamente a rua. Senti-me em casa, porque me lembrou Portugal. 

Vi gente nos cafés sem hora para sair. Senti-me em casa, porque me lembrou Portugal. 

Vi mulheres em topless na praia. Senti-me em casa, porque me lembrou Portugal. 

Esperei montes de tempo em filas enquanto as pessoas à minha frente procuravam notas e moedas na carteira para pagar. Senti-me em casa, porque me lembrou Portugal. 

Senti pingas pequeninas de mar na cara. Senti-me em casa, porque me lembrou Portugal. 

É uma sensação inesperada, mas é tão boa. E quem está longe sabe como a gente aprende a apreciar esses momentos fugazes. 

P.S.: E sim. Aqueles 26 graus também ajudaram #bless