sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Há três anos


Fez, no passado dia 27 de Outubro, três anos desde que vim viver para a Suécia. Aniversários destes fazem abrir as comportas da introspecção e tenho pensado, nos últimos dias, no quanto as coisas mudaram neste tempo - no quanto eu mudei. Ir viver para outro país é um grande passo no escuro e confesso que, aos 20 anos e acabada de chegar, não me passava ainda pela cabeça tudo o que essa mudança acarretaria. Tão pouco me interroguei acerca da duração da minha estadia. Não importava. Nessa altura, tudo era uma aventura e o mundo era um grande recreio a explorar. Ainda bem, porque senão a experiência teria sido muito mais assustadora.

Hoje, passado o terceiro aniversário da minha chegada, olho para trás. Olho para os caminhos, as veredas, as auto-estradas que me trouxeram até ao dia de hoje. Não vou mentir e dizer que foi uma viagem calma, planeada, perfeita. Houve solidão, angústia, saudades e muitas perguntas. Ainda hoje tenho momentos em que questiono a minha decisão, apesar de me encontrar num lugar da minha vida muito, muito melhor do que há três anos atrás. Aprendi a aceitar que é normal duvidar, sopesar, ponderar e ter momentos maus, dias maus. Aprendi que esses momentos são apenas... momentos.  São temporários. E passam, como nuvens escuras, nas vidas de todos, mesmo das pessoas mais fortes e daquelas que têm muito jeito para actuar e exibir a "perfeição" das suas vidas a quem quiser ver.

É um aniversário feliz e triste, mas mais feliz do que triste. Tenho, hoje em dia, mais coisas a agradecer do que a pedir.

É natural cometer erros, partir sem os ter compreendido é que torna inútil o sentido de uma vida. As coisas que nos acontecem nunca são definitivas, gratuitas, cada encontro, cada pequeno acontecimento tem um significado, a compreensão de nós mesmos nasce da disponibilidade em aceitá-los, da capacidade de mudar de direcção em qualquer momento (...) Se a vida é um percurso, é um percurso sempre a subir. Susanna Tamaro, em "Vai aonde te leva o coração"

Li o livro há vários anos e estas palavras ficaram-me na memória. E não é que são verdadeiras?


3 comentários:

  1. Tia Xu, estás umas mulherzinha. Isso é, basicamente, aquilo que tenho tentado dizer-te

    beijinhos

    PS

    Um dia destes hei-de ir visitar-te

    bjocas grandes

    Luvas

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  2. Nem sei que te dizer, eu que nunca pensei ter uma filha a morar tão longe de mim; já me bastava ter a minha sobrinha (quase filha) nessas terras escandinavas. Mas sinto que estás bem e isso conforta-me. bj

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  3. Oi Joana!
    Coisas de vida de emigrante, ou eu diria, coisas de gente que vive! Afinal, quem não questiona não vai para frente! Concordo com teu ponto de vista no que diz respeito a "duvidar é preciso", e normal. Não é porque duvidamos que não estamos satisfeitos com a escolha que fizemos, a dúvida apenas é um certificado da capacidade de pensar!
    Beijos!

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