quarta-feira, 18 de abril de 2012

Carta a mim mesma


Gosto da Oprah. Pronto, está confessado. Eu sei, o programa tem imensas americanices, clichets e afins mas eu não deixo de pensar que uma mulher que chegou tão longe deve ser levada a sério. Tudo isto para dizer que recentemente li este artigo no site da Oprah e gostei do conceito. Em suma, são cartas que algumas celebridades foram convidadas a escrever o seu "eu aos 25 anos". Ainda não cheguei aos 25 mas estou muito perto e, talvez por isso, me tenha revisto a mim mesma em algumas das cartas, tanto que me senti inspirada a escrever algo assim. 

A carta que se segue é para mim mesma, aos 14 anos. Pode ser que alguma menina que esteja a passar pelas mesmas coisas que eu passei encontre este blogue por casualidade e se identifique tanto quanto eu me identifiquei com algumas mensagens do artigo. 


Querida Joana,

Come menos açúcar. Almoça na cantina da escola e não no café cheio de fumo de cigarro e de marginais da escola.

Aceita as pessoas mesmo que não se encaixem no teu ideal. Sê tolerante. Exigir a perfeição é demais. O mesmo se aplica a ti mesma.

Vives num mundo injusto, com guerra, fome, racismo, maus tratos aos animais, pobreza, crueldade, abandonos e muito mais. Mas sorrir não significa que te preocupas menos. Não faz de ti pior pessoa. Por isso dá-te permissão para aproveitar a vida mesmo que haja tantos que não podem fazê-lo.

Não sabes tudo. Há coisas que ainda não entendes, apesar de teres muitas opiniões e ideias. Aprende a calar-te. A não responder. Vai poupar-te imensos problemas e, em certos casos, as pessoas irão levar-te mais a sério.


Experimenta ser mais simpática. A sério. Vai valer a pena.

Não, ele não é o amor da tua vida. E sim, as tuas amigas têm razão, ele não é nada de especial.

Não, ele também não é o amor da tua vida. E tu mereces alguém bem melhor.

Sabes aquelas duas miúdas da escola que têm inveja das tuas notas e se divertem a perseguir-te? Levanta-te e responde. Se tiveres oportunidade, dá-lhes um estalo. Vais evitar muitos arrependimentos futuros.

Ouve menos música rock/punk/metal/whatever e vai sair. Não, aquele cantor não é o único que te entende. Não, a letra daquela música não descreve a tua situação.

Não vivas através dos livros. Vai sair. Diverte-te. O pai vai discutir contigo quando voltares a casa, mas aquelas horas de liberdade valem a pena e ninguém tas pode tirar.

Cuida de ti. Faz exercício. Põe protector solar. Ah, e usa amaciador de cabelo. A sério.

P.S.: Estou orgulhosa por não fumares apesar da tua inclinação para a rebeldia e das tuas companhias e influências. Apesar de tudo, tens a cabeça no lugar.


13 comentários:

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    1. Bem-vinda ao blog, Milene, e obrigada pelo comentário! :)

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  2. Uau. Revejo-me muito em ti. Acho que aos 14 anos éramos iguais. Está fantástico. Beijinhos.

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    1. My darling :) será que aos 24 anos ais ser como eu? Espero que sejas uma versão melhorada. Beijinho!

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  3. só te esqueceste do altruísmo, que te levou a atitudes tão nobres como escrever para o surprise show, a pedir que surpreendessem uma amiga :)

    Quanto aos meus 14 anos, já foi há tanto tempo ........ :)

    Beijinhos Periquitinha Sonhadora

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    1. E porque não escreves ao teu eu dos 24? Assim até eu beneficiava :) beijinho

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    1. Mãe, mãe, cadê a tua carta? Quero ler. Beijinho

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  5. Eu tenho 21 anos, e me identifiquei por demais com sua carta.
    Puss puss*

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    1. Essa sensação de haver que alguém que se identifique comigo é fantástica, um dos motivos pelo qual continuo a escrever neste blog. Obrigada por mais uma visita e mais um simpático comentário. Puss puss!

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  6. Bom, ei fiz mtas coisas ao contrario de ti, apesar de ter os mesmos sentimentos de rebeldia. Eu comia em casa da avó, ou na cantina,e n em cafés precisamente pq detestava os rebeldes da escola. Eu saía e podia "desaparecer" dias inteiros, e n passava horas a ler ou ouvir musica, mas tb tinha aventuras levadas da breca. Como quando eu e tres amigos decidimos inspeccionar uma casa abandonada perto da Estação e que era albergue de heroínistas... Felizmente estava vazia, mas pudemos ver a miséria em que viviam. Eu praticava desporto e isso ajudou-me muito. Mas tb me apaixonava facilmente, e bastante. Como te deves recordar, tb n me calava, e tinha ataques de choro quando n conseguia articular o que queria dizer. Gostava de ter estudado mais, e n simplesmente aceitar q sem estudar conseguia notas razoaveis... Enfim. Todos temos coisas das quais no arrependemos, e outras nem por isso.
    PS tb gosto da Oprah, confesso que até a admiro bastante!
    jinhos da Galinhola

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    1. O teu comentário relembrou-me de mais um ponto que eu deveria ter introduzido na carta: devia ter praticado desporto para gastar aquelas energias negativas... Beijinho

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  7. Miúda....miúda....escreves que é uma beleza!

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