domingo, 22 de abril de 2012

A noite da cultura em Estocolmo


Ontem foi a Kulturnatten em Estocolmo. Literalmente traduzida, a palavra Kulturnatten significa "A noite da cultura" e é um acontecimento anual no qual muitos dos museus e monumentos de Estocolmo não cobram entrada ao público. A noite começa às 18:00 e acaba às 24:00. Uma oportunidade a não perder. Peguei na minha amiga Liliana, ela pegou na sua amiga Cátia e lá fomos em direcção da capital para uma noite muito animada - e barata.

A primeira paragem foi o Palácio Real (Kungliga Slottet). Hoje em dia nenhum dos membros da família real vive no palácio, mas este continua a ser usado para visitas e afazeres oficiais. Visitámos uma das alas. O interior é lindo, recheado de pinturas da família real, móveis antigos, tapeçarias imensas, enfim, tudo aquilo a que um palácio tem direito. Havia também funcionários vestidos com trajes de épocas passadas. Um encanto. A melhor parte, no entanto, foi um concerto de piano que estava a decorrer num dos salões.


Não consegui tirar uma fotografia decente ao palácio, por isso deixo-vos a foto da Wikipedia que, no meu parecer, representa bem o edifício e as redondezas. O edifício original foi construído no século treze e reconstruído no século dezasseis. No entanto, como muitos edifícios Suecos, o palácio foi destruído num incêndio violento no século dezassete e reconstruído, desta vez com uma planta quadrada Renascentista. Vimos imagens do antigo palácio, bem similar a alguns burgos medievais Portugueses, e preferi essa versão à versão actual, mas digamos que esta se adequa mais à paisagem urbana de hoje.

Depois de uma passagem breve pelo Museu da Moeda (mesmo em frente do Palácio, tem entrada grátis todos os dias), fomos ao Museu Nacional (Nationalmuseum), recheado de peças de arte não só antiga como moderna. 

O tempo passa rápido quando nos divertimos, e infelizmente não conseguimos visitar o Museu Nórdico (Nordiska Museet), o nosso destino seguinte. Fica para a próxima. Mas não quero esperar até à próxima Kulturnatten. Não sei o que é que me tem impedido de fazer mais visitas a sítios de interesse.




quarta-feira, 18 de abril de 2012

Carta a mim mesma


Gosto da Oprah. Pronto, está confessado. Eu sei, o programa tem imensas americanices, clichets e afins mas eu não deixo de pensar que uma mulher que chegou tão longe deve ser levada a sério. Tudo isto para dizer que recentemente li este artigo no site da Oprah e gostei do conceito. Em suma, são cartas que algumas celebridades foram convidadas a escrever o seu "eu aos 25 anos". Ainda não cheguei aos 25 mas estou muito perto e, talvez por isso, me tenha revisto a mim mesma em algumas das cartas, tanto que me senti inspirada a escrever algo assim. 

A carta que se segue é para mim mesma, aos 14 anos. Pode ser que alguma menina que esteja a passar pelas mesmas coisas que eu passei encontre este blogue por casualidade e se identifique tanto quanto eu me identifiquei com algumas mensagens do artigo. 


Querida Joana,

Come menos açúcar. Almoça na cantina da escola e não no café cheio de fumo de cigarro e de marginais da escola.

Aceita as pessoas mesmo que não se encaixem no teu ideal. Sê tolerante. Exigir a perfeição é demais. O mesmo se aplica a ti mesma.

Vives num mundo injusto, com guerra, fome, racismo, maus tratos aos animais, pobreza, crueldade, abandonos e muito mais. Mas sorrir não significa que te preocupas menos. Não faz de ti pior pessoa. Por isso dá-te permissão para aproveitar a vida mesmo que haja tantos que não podem fazê-lo.

Não sabes tudo. Há coisas que ainda não entendes, apesar de teres muitas opiniões e ideias. Aprende a calar-te. A não responder. Vai poupar-te imensos problemas e, em certos casos, as pessoas irão levar-te mais a sério.


Experimenta ser mais simpática. A sério. Vai valer a pena.

Não, ele não é o amor da tua vida. E sim, as tuas amigas têm razão, ele não é nada de especial.

Não, ele também não é o amor da tua vida. E tu mereces alguém bem melhor.

Sabes aquelas duas miúdas da escola que têm inveja das tuas notas e se divertem a perseguir-te? Levanta-te e responde. Se tiveres oportunidade, dá-lhes um estalo. Vais evitar muitos arrependimentos futuros.

Ouve menos música rock/punk/metal/whatever e vai sair. Não, aquele cantor não é o único que te entende. Não, a letra daquela música não descreve a tua situação.

Não vivas através dos livros. Vai sair. Diverte-te. O pai vai discutir contigo quando voltares a casa, mas aquelas horas de liberdade valem a pena e ninguém tas pode tirar.

Cuida de ti. Faz exercício. Põe protector solar. Ah, e usa amaciador de cabelo. A sério.

P.S.: Estou orgulhosa por não fumares apesar da tua inclinação para a rebeldia e das tuas companhias e influências. Apesar de tudo, tens a cabeça no lugar.


domingo, 15 de abril de 2012

Estudar Sueco na Suécia


O dia 8 de maio está quase a chegar e, com ele, o Tisus, que é basicamente um exame destinado a imigrantes na Suécia e que dá equivalência ao Sueco da Escola Secundária. Se passar neste exame terei, entre outras coisas, a possibilidade de ingressar no Ensino Superior aqui na Suécia. Isso, e o facto de ter pago 1600 Coroas (uns módicos 180 Euros) para fazer o exame, significa que a minha actividade de eleição dos últimos dias tem sido esta:



Namorar a gramática Sueca

Existe, é claro, uma versão grátis deste exame para os alunos do SAS (Svenska som Andra Språk/Sueco como Segunda Língua) mas infelizmente a "comuna" de Nyköping não autorizou o meu pedido para estudar em Estocolmo, argumentando que o curso também existe em Nyköping. Como trabalho em Estocolmo, seria muito mais prático frequentar um curso pós-laboral em Estocolmo mas a recusa da minha querida "comuna" significa que, ou frequento cursos nas escolas privadas ou estudo sozinha e me candidato de forma independente a exame. A última opção é decididamente a melhor.

A minha experiência na escola privada não correu bem. Cheguei a pagar 2500 Coroas (algo como 270 Euros), sem contar com a despesa dos livros, por um curso de 5 semanas, duas vezes por semana. Além disso, alguns dos alunos não tinham pago o curso dos seus próprios bolsos e não faziam questão em estudar Sueco mas sim em interromper constantemente a aula e falar de outros temas. Muito irritante. 


O melhor para a minha bolsa é mesmo estudar em casa, às vezes com uma colega, e fazer o exame. Estudar sozinha exige disciplina e motivação. É algo ao qual não estava habituada. Por outro lado, é mais fácil concentrar-me e acima de tudo é mais barato do que frequentar cursos privados nos quais o objectivo das aulas nem sempre é ensinar/aprender.


Enfim, há que fazer sacrifícios. Mesmo quando a Primavera está lá fora, a chamar por mim.



quinta-feira, 5 de abril de 2012

Tugas: elas andam aí...


Exceptuando os meus antigos colegas da Ryanair, a minha prima que vive em Västerås e as visitas que já tive de Portugal, nunca vi portugueses na Suécia. Vi de tudo, desde espanhóis a nativos da Ilha do Natal, mas portugueses não. Até já me tinha conformado com a impossibilidade dessa ideia. 

Tentem agora imaginar o meu entusiasmo quando, na minha pacata viagem de metro até ao T-Centralen, vinda do trabalho, me deparo com um grupo de quatro meninas portuguesas, vindas do nada. Demorei um segundo ou outro a decifrar a língua mas, após fazê-lo, dediquei-me a observar aquele exótico e raro grupo como se isso as fizesse adivinhar que também sou portuguesa. A coisa correu bem porque elas nem chamaram a polícia e, após algum tempo de indecisão patrocinada pela Fobia Social Sueca com a qual fui contagiada algures durante a minha residência neste país, resolvi meter conversa, ao aperceber-me que elas estavam meias perdidas. Pelos vistos, as meninas estão a fazer Erasmus na Noruega e resolveram aproveitar as férias da Páscoa para vir iluminar o meu dia, ups, fazer turismo no país vizinho. 

No fundo quero dizer que me sinto sozinha na minha condição de emigrante Portuguesa na Suécia. Não tem piada. É difícil ser a única responsável pela reputação de Portugal, ha ha. Por isso lanço um apelo aos Portugueses-que-vivem-na-Suécia: se encontrarem este blogue, digam olá! Só para eu saber que estão aí. 


quarta-feira, 4 de abril de 2012

Recuperar o fôlego


Trabalho no quinto-andar. O elevador está fora de serviço (e assim permanecerá mais de um mês). Espero ver resultados.

Imagem de yangamat.com

domingo, 1 de abril de 2012

Na Tailândia


O vôo Estocolmo - Phuket demorou onze horas, que passaram rapidamente, entre um par de filmes, as leituras obrigatórias, as refeições e afins. Chegámos a Phuket de manhã, tempo local, e ainda tivemos que esperar duas horas até o quarto estar pronto para o check-in. Como podem imaginar, não foi o melhor começo para quem acaba de chegar de uma viagem tão longa, mas as duas semanas seguintes compensaram.

A Tailândia tem um clima tropical, muito quente (a temperatura rodou os 30-35ºC durante a nossa estadia) e húmido, com uma média anual de humidade de quase 80%. A época das chuvas estende-se de Junho a Outubro. Estas condições são aparentemente ideais para a flora - a vegetação, densa e muito verde, domina a paisagem. Além disso, a fruta e os vegetais são deliciosos (assim como a comida em geral).



A grande maioria da população (94,6%) é Budista e quase 5% da população é Muçulmana. Graças à tradição Budista, há imensos templos para visitar, que recomendo vivamente aos interessados por arquitectura/religião. Num dos dias, alugámos um táxi durante o dia inteiro e visitámos vários tempos, desde "O Grande Buda" (um Buda com 45 metros de altura) a "Wat Chalong" e a um templo Chinês em Patong. Foi uma experiência fantástica - fiquei fascinada com a beleza dos edifícios e sobretudo com a tranquilidade que se respira (quase literalmente) ao visitá-los. Ao contrário de tantas  outras, o Budismo é uma religião feliz e a felicidade propaga-se.

Em Wat Chalong.

Altar para os espíritos

Comida para os espíritos

Como podem ver acima, os Tailandeses e os Budistas em geral cuidam bem dos seus espíritos. A maioria dos edifícios (tanto públicos como privados) conta com um pequeno altar para os espíritos, no qual as pessoas colocam comida. O altar deve ser imponente e a sua decoração deve ser mais cuidada do que a do edifício ao qual pertence. Na segunda fotografia podem ver o altar do hotel. Em qualquer sítio se pode encontrar pratos com comida, bebida e fruta para os espíritos. Este pequeno "estaminé" (3ª fotografia), na base de uma árvore, estava mesmo em frente do hotel e todos os dias passávamos por ele. O menu mudava diariamente e o mais curioso é que nem os cães se aproximavam da comida. Há que notar que, segundo os devotos, a bebida preferida dos espíritos é a Fanta vermelha, e por isso faz parte do menu.