quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Só na Suécia #6: E viveram felizes para sempre na cabana de verão


Já estamos em agosto e a Suécia está lentamente a despertar do seu coma anual, um fenómeno agendado para o mês de julho e que consiste no desaparecimento (sem rasto) dos nativos e na consequente paralisação de serviços, comércios, indústrias etc. Julho é o mês em que se torna difícil encontrar restaurantes abertos em certas áreas de Estocolmo, a capital. Julho é o mês em que o metro anda alegremente vazio. Julho é o mês em que não devemos, sob qualquer pretexto, ficar doentes, dar à luz ou usar os serviços de saúde em geral. Julho é o mês que os nossos queridos suecos gostam de passar nas suas sommarstugor, que traduzido à letra significa "cabanas de verão".


Um sonho para quem quer escapar ao stress da cidade e um pesadelo para os adolescentes que vão para lá de arrasto, as "cabanas de verão" são uma forma de voltar atrás no tempo. A grande maioria delas não tem casa-de-banho, o que significa que quem quiser tomar banho tem que o fazer no lago. Já as necessidades fisiológicas (duas delas, pelo menos) são feitas na utedass, uma simpática retrete exterior que consiste num buraco escuro com um receptáculo que deve ser esvaziado / trocado com alguma frequência.

Muito prazer, eu sou a utedass!
Os tempos livres são passados a fazer churrascos, a beber cerveja, a chapinhar no lago (quem se atrever), a jogar jogos de tabuleiro, a perseguir mosquitos, a apanhar mirtilos e outras bagas e a falar sobre o tempo. Todo um charme, mas até agora o meu recorde máximo foi de duas noites numa cabana do género, ou seja, o tempo de o meu cabelo ficar oleoso e de os insectos me devorarem. Segundo os meus cálculos, vou precisar de aproximadamente mais 39,5 anos na Suécia para considerar a hipótese de prolongar a estadia. Isto se até lá os mosquitos se fartarem do meu sangue gourmet.

Para mais histórias verídicas sobre o verão sueco, não deixem de ver este post, da autoria da Renata. Está muito engraçado!

E já sabem... Feliz Verão!
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23 comentários:

  1. Oi Joana!
    Também tenho uma cabana (um anexo no sítio da avó). É tão pobre, que nem a retrete tem: uso o banheiro da casa grande ou o penico.
    Duas noites são suficientes (costumo passar uma). A diferença é que usamos o ano todo.
    Por ficar na serra da mantiqueira, a temperatura é uns 4 graus abaixo daqui.

    Um beijo e ótimo verão (que nosso frio também já se dissipou).

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  2. Até deve ser giro mas estou solidária contigo em relação aos mosquitos e oleosidade no cabelo, portanto, duas noites parecem-me bem :)

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  3. Assim à primeira vista não me parece muito apelativo, mas dá para testar aquela teoria do amor e de uma cabana, para quem quiser pô-la em prática!!! :)

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  4. Tens noção que este tipo de posts, tão realistas, destroem todas as visões idílicas que possam existir de "uma amor e uma cabana" (especialmente na Suécia).

    Mas uma coisa é certa, não devem existir muitos enfartes por aí. A malta vive sem stress.

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  5. Alguns blogues estão parados há tanto tempo que duvido que voltem ao ativo :s
    Sou como tu...acho que 2 noites eram o máximo...gosto muito de casas de banho com água corrente e de manter a distância dos mosquitos...a vida ao natural não é bem a minha "praia". =)

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  6. Essa casinha para as necessidades do lado de fora sem direito a chuveiro ou conforto, me faz ser como voce ou bem parecida e passar no maximo uma noite em um lugar desses, porque ninguem merece isso...rsrs. Mas que bom o povo dai aproveita as ferias de alguma forma, so acho engracado tudo parar e as cidades esvaziarem...rs.
    Beijinhos

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  7. há uns anos tive em estocolmo e foi em julho, estive num bungalow ao pé de um lago que no inverno gelava e dava continuação a uma pista de sky que tinha atrás. Mas por acaso lembro-me que a cidade ainda estava bastante agitada com muita gente na rua e assim :)

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  8. Quem olha para essas imagens delicia-se com a paisagem e o ar acolhedor das cabanas, mas as condições que descreveste... Isso já não gosto! Está na hora de fazer uns upgrades aí às cabaninhas! :)

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  9. Joana, como é que pode uma capital parar?! Nunca nem imaginei uma coisa dessas!

    Cá entre nós, a ideia da casinha é legal no começo e tal, parece divertido, um tipo de aventura, mas chegou na parte do banho no lago e do banheiro do lado de fora, aí o negócio ficou feio kkkk

    Eu também não ia me acostumar, não ia mesmo...

    Bjo!

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  10. Eu dispensava os mosquitos e essa "casinha"..., de resto adorei o cenário e as cabanas!
    Beijinhos, bom domingo ;)

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  11. Não fiquei satisfeita com o jantar mas sempre tenho os 50euritos para me consolar..eheh

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  12. uma vida sem chuveiro? näo, obrigada.

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  13. Verdade, verdadeira... Julho é um mês que o país pára!!!
    Eu gosto mesmo desse climinha de interior, quentinho que só se consegue indo para um lugar distante de Estolcomo no verão... Delicía!

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  14. Eu acho que não ia gostar da utedass...! Estou habituada aos meus confortos! A Nucha não está muito melhor, vamos aguardar, a ver se melhora. Se não melhorar terá de ser operada. A ideia das meias foi da veterinária!!!!;)

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  15. Adorei esta publicação! Quero muito conhecer a Suécia :)

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  16. Que tal usarem repelente de insetos, quando vão para as cabanas? Os churrascos e a apanha de mirtilos agradam-me, mas a casinha para as necessidades, embora gira na foto, ia causar-me desconforto; penso que não seria inviável arranjarem casas de banho com chuveiro, ou não?

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  17. As cabanas de Verão tem um ar amoroso, mas a falta de chuveiro e wc no exterior tira-lhes muito do seu encanto...
    Já somos duas, acho mesmo que o meu sangue tem mel e não basta ficar picada, como ainda as picadas ganharem cor e volume... :(

    Beijinho grande*

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  18. Isso me lembrou a descrição do livro do Stieg Larsson, as cabanas...

    Kisu!

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  19. Já passeii 3 noites em uma sommarstuga, mas é porque ela se localizava em um "complexo" de sommarstugor, tipo como uma villa só de casinhas de verão. Lá no meio há chuveiros e banheiros coletivos, além de uma lavanderia que atende aos mais corajosos. Com relação aos mosquitos, tenho cá comigo um repelente maravilhoso: Joel. Não sei explicar porquê, mas quando saímos juntos para algum lugar onde há muitas dessas pragas a nuvem de mosquitos fica apenas ao redor dele e tentando comer somente a ele. Mais um caso e sangue gourmet, eu acho. Ou a triste prova de que não sou tão gostosa assim, afinal.
    Que bom!
    Beijos!

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  20. Que paradoxo interessante: uma das sociedades mais modernas do mundo curtindo cabanas cujo simples é a regra e o luxo, a exceção.
    Achei o desenho de coração uma fofffuuuurrraaa!!!!
    Bjim
    Márcia

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  21. Brutal, não os imaginava a voltarem assim aos tempos primitivos *

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  22. Adorei este teu post e ficar a saber estas coisas todas sobre os suecos! Curiosamente, o meu namorado, que é alemão, está sempre a dizer que "na Alemanha não é como em Portugal, onde o país adormece todo em Agosto". Isto é um facto: durante o Verão, nada avança em Portugal, o país pára. Aqui na Alemanha, parece-me que também abranda, mas a maioria das empresas, serviços, etc. continua a funcionar, e ainda não me faltaram cafés e restaurantes onde ir.

    Também existem umas cabanas semelhantes às suecas aqui na Alemanha, em "jardins" na proximidade das cidades, onde as pessoas (maioritariamente velhotes)gostam de cultivar uns legumes e de ter a sua tranquilidade. Normalmente não dormem lá, é mesmo só para passar um bocado, e a maioria das cabanas... não diria bem que são feias... são um bocadinho kitsch! ;)

    Beijinhos,
    Olivia

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  23. Gostei das cabanas, mas nao gostei ndada do tal do utedass.
    Eu gosto do campo... mas tenho que ter o banheiro... senao eu vou à loucuraaaa!!
    beijocas

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