terça-feira, 30 de abril de 2013

Portugal precisa de uma makeover


Andava eu muito tranquila às compras quando me deparei com este belo dvd. Ah Portugal, o bucólico país dos velhinhos de boina e das touradas.


E agora umas perguntinhas retóricas, não será mau o suficiente que a merda das touradas existam? Como é que em pleno ano de 2013 elas ainda são usadas como imagens turísticas do país? Sendo que...

1. As touradas não representam Portugal. Eu sei que é óbvio mas parece que nunca é de mais clarificar.

2. As touradas são a maior vergonha de Portugal. Usar imagens de touradas para promover o turismo nacional é como colocar a imagem de um sequestro violento num dvd turístico sobre o México. De um pickpocket em Londres. Da prostituição de menores em Bangkok. Vocês entendem a ideia.

3. Usar imagens de touradas em dvd's turísticos atrai o tipo errado de turistas. Nomeadamente mentecaptos com tendências sádicas que gostam de assistir à morte lenta de animais ao vivo e a cores. Querem mesmo essa gente à solta, a visitar o país? A sério?

4. Portugal tem aproximadamente um milhão e meio de coisas decentes, bonitas, interessantes, chamativas, educativas, culturais, tradicionais e inesquecíveis para oferecer a quem nos queira visitar. E nem sequer falta diversão para os nossos amigos mentecaptos com tendências sádicas. Podem sempre deleitar-se com as histórias da Inquisição, da escravatura e até mesmo com a pobreza e a miséria actuais, cada vez mais visíveis.

5. Já mencionei que as touradas não representam Portugal?

Mas não se preocupem, Portugal não é apenas o país das touradas! Também temos cantoras de fado. Ando a ler um livro giríssimo, sueco, Delhis Vackraste Händer (As Mãos Mais Bonitas de Delhi, Mikael Bergstrand) no qual o melhor amigo do personagem principal tem um caso com uma cantora de fado portuguesa que conheceu por aí. Porque todas as portuguesas são cantoras de fado e, quem sabe, toureiras nos seus tempos livres.

Está a ficar tarde e tenho que ir dormir mas antes disso queria deixar os meus beijinhos aos anónimos zangados que por aqui queiram passar.

Ah, e aqui têm uma leitura interessante sobre o tema.

God natt!

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Só na Suécia #5: O realismo impiedoso


Desculpem por publicar isto tão perto da hora do almoço mas deparei-me com mais uns exemplos do incurável "romantismo" dos suecos, que já aqui foi comentado, e quis partilhá-los convosco.


Em abono da verdade, posso adiantar que a ilustração não é assim tão exagerada. Trata-se de um artigo sobre a vinterkräksjuka (a doença mais nojenta do mundo), que se caracteriza exactamente pelas coisas que se vêm aí em cima. Gosta de se propagar no inverno e, ainda por cima, é muitíssimo contagiosa.

Mas calma, há mais. Apresento-vos o livro do cocó, indispensável na educação de qualquer criança.


Era só isto. Para mais episódios do Só na Suécia, fazer clique nestes links:

Só na Suécia #1 - O bom humor matinal das suecas
Só na Suécia #2 - Uma salsicha polémica
Só na Suécia #3 - Vira bissexual
Só na Suécia #4 - Café e bolos

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Eu não sou uma doente como as outras


Desde que vos escrevi pela última vez, a minha condição agravou-se um bocado e por isso estou de baixa do trabalho. E parecendo que não, eu gosto de tentar encontrar as coisas positivas que há em cada situação chata, pelo que encarei esta constipação como uma oportunidade de ouro de perder um quilinho ou dois. Parti do princípio que, tal como a restante 99,99% da população, eu ficaria sem apetite por estar doente. Mas Murphy é meu amigo próximo e isso significa que eu até posso estar com um pé na cova, mas continuo a considerar seriamente ir a pé ao supermercado só para comprar "algo doce". E sendo assim vou mudar de estratégia e aproveitar este período de convalescência para estrear o "kit de cupcakes" que comprei há meses e que até agora tive preguiça de usar. Aqui está ele, com direito a coraçõezinhos e tudo, que hoje eu tenho tempo para estas coisas. Wish me luck!


quinta-feira, 18 de abril de 2013

E agora uma pergunta a quem entende disto


Como é que um(a) blogger consegue chegar aos 39 000 seguidores? Ontem andava eu a passear pela blogosfera (eu leio mais do que algum dia irei escrever) e deparei-me com uma blogger britânica com mais de 39 000 vencedores. Aliás, a coisa vai quase nos 40 000.

Ao contrário do que eu acreditava no início, hoje sei que o número de seguidores nem sempre é um indicador da "qualidade" do blog: já vi blogs lindos e cheios de potencial com pouquíssimos seguidores. E vice-versa. (Fosse eu outro tipo de pessoa e escreveria aqui alguns nomes, só para apimentar). Já vi blogs com imensos seguidores e quase nenhuns comentários. E vice-versa. Sim, eu já dei o primeiro passo na matéria "perder a inocência blogosférica": já entendi que neste mundo paralelo as coisas nem sempre são o que parecem e até já aceitei esse facto. Mas continuo sem perceber como é que se chega aos 39 000 seguidores.

E já agora, era um blog sobre vernizes de unha e memes do género "depois da tempestade vem o sol".

terça-feira, 16 de abril de 2013

Nós no Instagram


Amigas e amigos, eu e o blog estamos finalmente no Instagram! Podem seguir-nos aqui ou então através do botão (View on Instagram) no menu do lado direito. Não se esqueçam de deixar os vossos links abaixo para nós podermos espreitar as vossas novidades também!

domingo, 14 de abril de 2013

Sabes que é primavera quando...


a neve derrete e o ar começa a cheirar a podre devido aos "presentes" que os nossos amigos de quatro patas deixaram nas ruas durante o inverno e cujos donos não apanharam; não se pode receber convidados para jantar sem primeiro lavar as janelas; o sol ilumina o interior das casas e pode ver-se o pó a rebolar pelo chão da cozinha. Estes são os verdadeiros sinais da chegada da primavera, segundo uma revista aqui de Nyköping.


(Tenho a acrescentar que, além do cocó dos cães, também se descobrem muitas beatas de cigarros. É pena eu não fazer colecção disso, era uma alegria.)

Mas não só, gente. A primavera também tem o seu lado positivo...
Posso finalmente deixar as janelas abertas durante horas, para deixar o ar fresco entrar!♥ As ruas ficam mais bonitas. As lojas são invadidas por roupas de várias cores, pasmem! É de dia quando saio para o trabalho e quando volto a casa também. Os cafés do porto cá da vila abrem e posso alapar-me confortavelmente nas esplanadas a comer gelado (comecei hoje, gelado de limão). Já não tenho medo de escorregar no gelo e partir um braço. Já não sou pressionada convidada para fazer esqui. O chocolate quente deixa de ser tão atraente. O sol começa a aquecer mas ainda posso usar cremes perfumados e afins sem ser atacada em gangue por vespas e mosquitos no momento em que ponho os pés fora de casa. E finalmente atrevo-me a tirar as luvas para tirar fotos...






E por aí, já é primavera?

quinta-feira, 11 de abril de 2013

O meu dia, tim-tim por tim-tim


Neste post fui convidada pela Cristina a descrever um dia do meu quotidiano. Já vou tarde, eu sei, mas não me esqueci da pergunta. Simplesmente demorei algum tempo a ultrapassar o receio que as leitoras me abandonassem em massa depois de lerem este post. Eu não tenho um quotidiano glamouroso. Nem interessante, já agora. Não digam que não avisei.

♥ O despertador toca às 6:00. Dou voltas na cama com a sensação de que sou uma vítima.

♥ Arranjo-me para sair de casa. Normalmente este processo decorre de forma relativamente tranquila excepto hoje, em que "consegui" borrifar o meu olho esquerdo com laca. (Não, as pestanas não ficaram especialmente bonitas, mas o meu olho continua no sítio.)
♥ Às 7:00 saio de casa. Está bom tempo e o sentimento de vítima começa a desvanecer. Ou então está a nevar e eu juro a mim mesma que um dia vou mudar de vida.
♥ Vejo sempre o mesmo senhor, a passear o seu cãozinho. Também vejo o casal de pombinhos de que falei aqui.
♥ Chego à estação e meu comboio (trem) está quase a chegar. Ou está 10 minutos atrasado. Ou meia hora. Ou foi cancelado e não há comboio para ninguém. O céu é o limite.
♥ Já no comboio... como algo e bebo café. Faço a minha maquilhagem. Leio um livro. Irrito-me com os fungadores compulsivos. Leio blogs. Comento blogs. Às vezes levo os meus livros comigo e estudo matemática, yeah.
♥ Chego ao trabalho. Ligo o computador. Bebo café com as minhas colegas. Pomos a conversa em dia. 
♥ Começo a trabalhar. Tomo o meu segundo pequeno-almoço enquanto trabalho.
♥ São 10:30/10:32/10:34 e eu e a colega vamos buscar mais café...
♥ São 11:30 e apercebo-me que ainda não bebi água. Vou buscar um copo, bebo um gole e esqueço-me da existência do copo de água.
♥ Às 12:00 é hora do almoço. Almoço com os colegas na cozinha. Comparamos os nossos almoços. Falamos de tudo e de nada. 
It's coffee o'clock again. Eu e as colegas trocamos mais uns desabafos e umas fofocas.
♥ Volta ao trabalho. 
♥ São 14:00 e estou com fome outra vez.
♥ Continuo com fome. Como o meu primeiro lanche do dia.
♥ ...nada a relatar...
♥ São 16:00. Só falta uma hora para as 17:00.
♥ São 16:05. Às vezes rola uma partida de matrecos na sala de jogos do escritório.
♥ São 17:15 e saio do trabalho.
♥ Chego à estação e como o meu segundo lanche.
♥ Espero pelo meu comboio, que está quase a chegar. Ou está 10 minutos atrasado. Ou meia hora. Ou foi cancelado e não há comboio para ninguém.
♥ Tiro uma foto à menina do último post.
♥ Estou a caminho de casa. Leio blogs. Leio um livro. Se tiver o material comigo, estudo.
♥ Abro a porta da casa, já passam das 19:00. Faço o jantar. Ou então como pizza/cereais com leite à frente da televisão. Mmmm.
♥ São 20:00 e estou a ficar com sono...
♥ Devia estudar matemática, tenho exame em breve. Mas tenho sono. 
♥ Devia arrumar a cozinha. Mas tenho sono.
♥ Devia escrever no blog. Mas tenho sono.
♥ Devia responder às mensagens dos meus amigos no facebook. Mas tenho sono.
♥ Devia tratar de papelada. Mas continuo com sono.
♥ Uau, consegui permanecer acordada até às 22:00! Para celebrar a proeza, começo a arranjar-me para dormir.
♥ Lavo a cara e os dentes. Ponho creme de cara e olhos. 
♥ Vou para a cama. Adormeço em 3,21 segundos. Zzzzz.
♥ Fim!  

Beijinho Cristina!


quarta-feira, 3 de abril de 2013

Como conquistar a atenção de um homem sueco


Todas as mulheres que se mudam para a Suécia passam pela mesma experiência. Nos nossos países de origem, somos diariamente presenteadas com assobios, piropos indecentes, cartinhas de amor perfumadas, olhares indiscretos, abordagens espontâneas, propostas ordinárias, buzinões dos carros que passam, piscares de olhos e cupidos esvoaçantes em todas as esquinas. É uma coisa intensa, a roçar o assédio, e aprendemos desde novas a revirar os olhos perante este tipo de gestos. É algo que tomamos por garantido. Porque somos irresistíveis para o sexo oposto. Até ao dia que passamos a viver na Suécia e a única coisa com que somos presenteadas pelos espécimes do sexo oposto (quando sóbrios) é um olhar gélido de vez em quando, e isto apenas porque estamos a bloquear o caminho. É traumatizante. Será que ficámos feias assim de repente? Não. Apenas nos faltam os instrumentos certos, e estou aqui para ajudar com um pequeno feitiço, passo a passo: 

♥ Vestir um vestido branco sem mangas, bolsos ou costuras;

♥ Colocar batôm vermelho com reflexos bordeaux;

♥ Ferver 4,7 decilitros de água do Mar Vermelho misturada com 47 sementes de romã da China;

♥ Com a ajuda de uma bússola, localizar a rotunda mais próxima, que deve ficar a nordeste de uma macieira em flor;

♥ Dar 47 saltinhos à volta da rotunda, com o pé direito;

♥ Dar 47 saltinhos à volta da rotunda, com o pé esquerdo;

♥ Fazer um buraco na rotunda. No buraco, colocar um cd dos Backstreet Boys, enrolado numa toalha vermelha;

♥ Recolher 3 fios de cabelo, com o comprimento de 47 centímetros, de um unicórnio cinzento;

♥ Lavar os fios de cabelo do unicórnio nos 4,7 decilitros de água do Mar Vermelho;

♥ Retirar as sementes de romã e regar o jardim dos vizinhos com a água e os fios de cabelo do unicórnio;

O passo seguinte (último) é importante! Seguindo este passo não é preciso fazer os passos anteriores:

♥ Comprar, ou receber de presente, um iPad ou um brinquedo tecnológico semelhante. Seja o que for, deve ser brilhante e ter um touch screen.

À custa do meu iPad (oferecido pelo meu pai, obrigada pai!) já fui abordada em ocasiões diferentes por um total de três homens suecos (sim, sóbrios) interessados não em mim mas no meu querido iPad. Foi uma tempestade de perguntas: estás satisfeita com o iPad?, tens internet no iPad?, a bateria aguenta-se bem?... E pronto, não é propriamente aquele tipo de atenção que recebemos nos nossos países de origem mas é melhor do que olhares assassinos gélidos. E quem já está aqui há algum tempo sabe bem o esforço que é, para um sueco, abrir conversa com estranhos. 


Imagem editada por Boneca de Neve