sexta-feira, 26 de julho de 2013

A minha mudança de visual


Reza a lenda que a Suécia é um dos países mais seguros da Europa. E no entanto, nunca na minha vida me senti tão roubada como aqui. No salão de estética, investi custosamente 150 dinheiros (quase 18€) para que me arranjassem as sobrancelhas e saí de lá mais ou menos assim, depenada de sobrancelhas e de dignidade.

Não sei onde arranjei esta foto mas é assim que me sinto

P.S. Nada disto aconteceria se eu tivesse a coordenação motora a que tenho direito. Nesse caso, poderia fazer as sobrancelhas em casa sem correr o perigo de ficarem ainda piores do que na fotografia. 


quarta-feira, 24 de julho de 2013

Um noivo, um vestido branco e um bolo de ovos moles



Éramos oito à mesa: eu, outra portuguesa, uma filipina, uma somali e os nossos copos de vinho tinto. De repente, sem que eu tenha percebido como, começou-se a falar de casamentos. Cada uma falou sobre seu casamento de sonho, excepto eu, que não tenho um casamento de sonho. Fiquei caladinha e tranquila, na esperança de escapar ao escrutínio das minhas companheiras, mas a pergunta não tardou: "Então e tu Joana, qual é o teu casamento de sonho?". E eu lá expliquei, com o ar mais natural possível, que não me quero casar (apesar de adorar casamentos). Mais tarde, já sozinha, pensei melhor no assunto e concluí que se um dia mudar de ideias e quiser casar-me, há três coisas que não poderão faltar...

3. Um noivo.
2. Um vestido branquinho.
1. Um bolo de pão de ló com ovos moles e cobertura de massapão, aquele que até hoje considero ser o único bolo legítimo de casamento / baptizado deste mundo e arredores.

You can take the girl out of Aveiro, but you can't take Aveiro out of the girl.

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domingo, 21 de julho de 2013

Crise existencial e o ataque das leggings brancas


Não sei como é que o vosso verão mais frio desde 1816 está a ser mas pelos vistos houve alguém lá em cima que teve pena da Suécia e que resolveu presenteá-la com um verão fan-ta-bu-lás-ti-co. (O que apenas prova que ainda existe alguma justiça neste mundo, pois no verão passado choveu todos os santos dias.) E se não acreditam que o verão veio mesmo visitar-nos, mostro-vos uma prova irrefutável da sua chegada: o ataque das leggings brancas.


Todos os anos, quando o calor ataca, as suecas põem os seus uniformes estivais e as leggings brancas saem à rua, de preferência acompanhadas de uma túnica ou vestido, como podem ver na foto. Graças aos meus reflexos lentos não consegui tirar fotos a mais exemplares mas garanto que eles andem aí e em força. Mas de qualquer forma, não pensem que ando tão ocupada a tentar fotografar leggings brancas que não possa vir actualizar o blogue e visitar os vossos cantinhos. A verdade é que este abandono de onze dias foi devido a outras coisas, nomeadamente a crise existencial que eu e o blogue estamos a atravessar. Não me faltam temas sobre os quais escrever. Não me falta gosto pela coisa. A crise é sobretudo conceptual. Com este blogue, "comprometi-me" a dar-vos a conhecer um pouco da Suécia através dos meus olhos e contar-vos as minhas aventuras quotidianas num país que, para mim, continua a ser estranho. Mas acontece que ultimamente me tem apetecido abordar outros temas também, alargar horizontes, escrever mais livremente, e ainda não aprendi a fazer isso sem alterar o carácter do blogue, que tem sido sempre "o blogue de uma portuguesa a viver na Suécia". Esta não é a nossa primeira crise existencial e provavelmente não vai ser a última mas felizmente posso sempre contar com a minha irmã Susana, do Hodgkin, logo existo, para me relembrar que sou uma desnaturada e que o blogue anda a ficar com teias de aranha. E por isso, se por algum motivo acharem este post muito bonito e interessante, é a ela que devem agradecer. Por agora é tudo, pessoal. Feliz verão-mais-frio-desde-1816!

P.S. Sim, por aqui diz-se "Feliz Verão" como quem diz "Feliz Natal". E não se enganem, aqui o verão é tão ou mais sagrado que o Natal. Por isso, Glad Sommar para vocês!

quarta-feira, 10 de julho de 2013

A galope




Jägerdals Gård, Björnlunda. Fica aproximadamente a 1h 15m de Nyköping. A quinta é "especializada" em cavalos da Islândia (todos baptizados com nomes islandeses) e é gerida por uma família muito simpática. Foi uma das filhas que fez a nossa visita. Andámos por duas horas na floresta, a respirar aquele ar fantástico. O meu cavalo, chamado Seidur, parava a cada dois minutos para comer (foi assim que descobri a nossa primeira coisa em comum). Experimentámos corrida e galope. Ri-me como as hienas do Rei Leão. E no final, houve fika, o tradicional lanche sueco, preparado pela matriarca. Se houve parte de mim que não gostou desta experiência, foram as minhas coxas, que hoje andam cheias de dores. Valeu a pena.


sábado, 6 de julho de 2013

Balanço de um mês em Portugal


Bolos e bolinhos emborcados: 895
Comentários sobre o meu peso, que está em crescimento exponencial: 5
Idas à praia: 3
Escaldões: 0
Litros de suor vertido: 20
Livros comprados: 7
Livros lidos: 3
Conversas com estranhos: 687
Demissões de membros do governo: 2
Episódios da Dancing Days que vi para acompanhar a minha avó: os suficientes
Idas às compras: 853
Momentos de felicidade com as minhas sobrinhas: 1729
Cuequinhas da Tezenis compradas: 3
Idas ao pão-quente: 589
Vezes que me perguntaram se tinha nascido na Suécia: 2 (medo)
Quilos perdidos: -1

Não vou dizer que a despedida foi fácil, porque não foi. Em parte porque o tempo passou tão rapidamente. Em parte porque acho (sei) que não aproveitei, de diversas formas, o meu precioso mês em Portugal como queria. Em parte porque me sentia tão bem lá. Em parte porque não me apetecia voltar (já). Resta-me voltar à minha vida de mansinho, pôr os óculos "cor-de-rosa" e esperar que, com o tempo, as coisas voltem ao sítio.