quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Só na Suécia #8: Directamente do site do centro de emprego


"Mostre o seu melhor lado"
É apenas uma foto caricata, mas representa uma das coisas de que mais gosto na Suécia: a informalidade. O look mais comum para entrevistas de trabalho é calças de ganga e camisa. O chefe trata-se por "tu" e pelo primeiro nome. (O médico também. A minha semi-sogra também.) O meu professor de matemática usa Crocs nas aulas. As senhoras do banco usam chinelos com meias. Não há "senhor" nem "doutor" nem "senhor doutor" para ninguém. Às vezes sinto que vim parar ao país certo.

Ah, e o site do centro de emprego é este.


domingo, 27 de outubro de 2013

Duas malas e zero luvas


Foi há 5 anos atrás, perto das 24:00 de uma noite gelada, que cheguei à Suécia com duas malas e sem luvas nem qualquer ideia daquilo que me esperava. Não houve tempo para fazer muitas perguntas: no dia seguinte tinha que me levantar às 4:30 para ir para o trabalho. E não, não fui eu que planeei as coisas de forma tão (des)inteligente, foi mesmo a empresa para qual eu iria trabalhar... mas esse é tema para outro capítulo, ou três. De qualquer forma, eu tinha passado o dia inteiro a viajar e estava tão cansada que o meu único plano para essa noite era chegar ao hostel o mais rapidamente possível e enfiar-me na cama, mas nem isso foi possível. No momento em que abri a minha mala, reparei que havia algo de errado. No alto dos meus 20 (quase 21) anos, eu não tinha empacotado bem o meu champô (este, nunca mais o usei) e, durante a viagem, a embalagem abriu, o champô "voou" com a pressão e o meu uniforme azul ficou com manchas brancas horríveis. Cheia de sono, tive que lavar o uniforme no lavatório milimétrico do hostel e secá-lo com o secador de cabelo até às 2:30 da manhã. (Usar roupas húmidas não é uma ideia brilhante quando a temperatura lá fora está abaixo de zero.)
Gostaria de vos dizer que esse foi o único contratempo que enfrentei nos meus primeiros dias na Suécia, mas não foi. Aliás, se eu fosse um bocadinho mais supersticiosa do que sou, teria interpretado esses contratempos como sinais em néon para me ir embora deste país. Mas fiquei. Na minha primeira semana, em que apenas trabalhei, não vi a luz do dia. Passado duas semanas, fiz anos e tive um dos aniversários mais tristes da minha vida (e sim, chorei o dia inteiro, até que os meus colegas me fizeram brownies de chocolate). Passado três semanas, comprei finalmente luvas e a minha vida melhorou consideravelmente.
E agora já passaram cinco anos e eu não sei como. Apesar de tudo o que aconteceu durante este tempo, sinto que ainda estou naquele quarto de hostel, de secador de cabelo na mão, a secar o uniforme azul. Mas não. Há uns dias cheguei à conclusão que passei praticamente toda a minha vida adulta até agora na Suécia. Em Portugal sou a "sueca" e na Suécia sou a portuguesa. Perdi algumas coisas, ganhei outras e poderia escrever um post quilomééééétricoooo sobre este tema mas sei que o vosso tempo é precioso e que o que eu senti e sinto durante esta jornada não é mais nem menos aquilo que todos os emigrantes sentem. Uma coisa é certa, hoje em dia sou uma autêntica profissional a empacotar champô. Parabéns a mim!


quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Não há nada como viver numa cidade pequena


Aqui em Nyköping, um homem na casa dos 60 anos foi agredido na cara com um peixe (cavala) enquanto dormia tranquilamente em casa. A agressora é uma mulher também na casa dos 60 anos. A polícia está a investigar o caso.

sábado, 19 de outubro de 2013

A sueca que apenas queria ir para casa comer gomas


O autocarro estava cheio e eu ia sentada à beira de uma sueca irrequieta. De telemóvel em punho, ela falava sobre tudo e sobre nada com uma amiga e, em poucos minutos, fiquei a saber uma quantidade alarmante de informação sobre a sua vida pessoal. Mas, ou não fosse eu glutona profissional, para mim o ponto alto da conversa foi quando ela exclamou Ah, só me apetece ir para casa e sentar-me no sofá a comer gomas. Já não como gomas há vários dias!. Nem eu, querida, nem eu. Aliás, não me lembro quando foi a última que o fiz. De qualquer forma, este episódio lembrou-me que nunca vos falei da lördagsgodis, a tradição sueca de comer gomas aos sábados. Os suecos são gente de hábitos. As quintas-feiras são dias de comer panquecas e sopa de ervilha, as sextas-feiras são dia de fredagsmys (relaxar à frente da televisão na companhia de batatas fritas e afins) e o sábado é dia de comer gomas. E as gomas são um negócio a sério. Estão em todo o lado e até o mais pequeno e ranhoso dos supermercados tem uma secção dedicada a elas.
E por falar nisso, há uns dias deparei-me com um anúncio de emprego em que procuravam uma pessoa responsável por ir a supermercados encher caixas de gomas. Será que devo candidatar-me?

Hum, esqueci-me de encher a caixa das coca-colas ácidas... ou será que  as comi?
E, aqui entre nós, digo-vos apenas uma coisa: se eu tivesse a mínima vocação para ser rica, importava a Hussel para a Suécia. Ou aquelas marcas de gomas que se encontram nos supermercados portugueses. Adorava saber o que aconteceria se este povo descobrisse o mundo das gomas a sério. Se é que existem gomas a sério.


quinta-feira, 17 de outubro de 2013

10 motivos para ir ver O Mordomo (The Butler)


1. Baseado numa história real. E eu tenho um fraquinho por esse tipo de filmes.

2. O elenco de luxo. Robin Williams, Jane Fonda, John Cusack, Oprah Winfrey, Forest Whitaker, Lenny Kravitz, Cuba Gooding Jr. Todos juntos.

3. A interpretação da Oprah. Eu sei que sou suspeita (já vos confessei que sou fã da senhora), mas a sério, fiquei impressionada com ela. Que participação ex-ce-len-te.

4. O sorriso do Forest Whitaker. Não é um homem bonito mas é fofinho daqui até à lua.

5. O tema. A acção do filme decorre num período da história dos Estados Unidos que eu acho particularmente interessante, que é o movimento dos direitos civis dos negros.

6. A gratidão. Este é daqueles filmes que nos fazem agradecer a existência de pessoas dispostas a lutar pela igualdade e pela justiça, arriscando as suas próprias vidas no processo. O que seria o mundo sem pessoas de valor?

7. O drama familiar. Não digo nomes, mas conheço alguém que se emocionou com o drama da família da personagem principal...

8. A humildade. Os americanos não são propriamente conhecidos pela sua atitude humilde e os filmes que produzem costumam ser um reflexo nítido disso mas este escapa um pouco à regra. Rejubilemos!

9. O final... mais ou menos. É raríssimo eu ficar satisfeita com o final dos filmes que vejo e dos livros que leio mas O Mordomo não me desiludiu (muito). É claro que faria algumas alterações mas pelo menos não saí da sala de cinema a ranger os dentes de frustração.

10. As pipocas. Sempre as pipocas. Aqui no reino da Suécia só há pipocas salgadas e, agora que me habituei a elas, não quero outra coisa. Nom nom nom.


segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Entretanto num mundo ao contrário


Eu devia estar a estudar. A sério que devia. Mas surgiu a vontade de escrever, ou melhor, de desabafar e por isso aqui estou sentada com a minha almofada de trigo quentinha no colo, a matar as saudades do blog. Hoje cheguei à conclusão que nas últimas 48 horas chorei três vezes, sim, três vezes devido a coisas que encontrei na internet. Como qualquer outra pessoa da minha geração, aos 14 anos eu já usava a internet e já nessa altura proliferavam conteúdos chocantes, quanto mais não seja as personagens que frequentavam o famoso mIRC. Mas o curioso é que, durante todos estes anos, a minha sensibilidade e o meu estômago não conseguiram acompanhar o ritmo do desenvolvimento da internet e dos seus conteúdos e o resultado envolve lágrimas, rímel escorrido e a sensação de que não há esperança para o mundo. A boa notícia é que existem lágrimas de felicidade. O youtube é um dos meus destinos favoritos quando me apetece dar umas gargalhadas e não faltam vídeos com o potencial para iluminar os dias mais cinzentos. A má notícia é que o mundo está efectiva e decididamente louco (não digam que não avisei...).

P.S.: Para os que abriram o segundo link, peço-vos que enviem as vossas mensagens para os endereços publicados. Continuo a acreditar que o mais pequeno dos gestos é mil vezes melhor que a indiferença.

P.S. 2: Em breve o blog regressa à programação normal.




quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Vamos por partes


Tudo está tranquilo aqui no reino da Suécia. Está a ficar frio, muito frio, e durante a noite a temperatura fica negativa. As árvores estão vestidas de vermelho, amarelo e cor-de-laranja. Ando de olho num casaco de outono da H&M apesar de já ter quatro casacos de outono. Vi um vídeo tailandês que me emocionou. A minha instructora de fitness conseguiu pôr um grupo de mais de 50 pessoas a fazer um exercício que envolvia dar palmadinhas nos seus próprios rabos ao som de "Tainted Love" do Marilyn Manson. Ando com tantas saudades de casa que não sei como ainda não me teletransportei misteriosamente para lá. Ultimamente o meu post Nós no Instagram tem recebido um número ridículo de visitas sem eu saber como nem porquê e acabou por se tornar no post mais visitado do blog. Já não visito (nem comento) blogs há alguns dias mas tenho saudades e vou regressar à normalidade em breve. O nosso "querido" Presidente da República Cavaco Silva está de visita ao país e teve hoje um encontro com o Rei e a Rainha em Estocolmo, para qual eu fui convidada juntamente com todos os outros portugueses inscritos na Embaixada, mas valores mais altos se levantaram e eu andei mesmo pela biblioteca da escola a bebericar café e a tentar concentrar-me no livro de matemática que, mesmo com exercícios apelativos como este que vos mostro, me tem feito amaldiçoar o dia em que me inscrevi no curso.

O funcionário de um banco foi encontrado assassinado no seu escritório às 15:00, hora a que a temperatura do corpo era de 29,5 graus. Às 16:50 a temperatura do corpo era de 27 graus. No escritório estavam 20 graus, temperatura constante. A que hora se deu o assassinato? A temperatura corporal normal é de 37 graus. 


Dou um chocolate a quem resolver.
(E já agora, só na Suécia é que põem exercícios destes nos livros de matemática)

God natt!