segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Os interesseiros e a caridade


Numa colaboração histórica, eu, Joana da Sibéria, e o Priberam, dicionário da malta, elaborámos a definição da palavra interesseiros:

plural masculino de interesseiro
1. Muito aferrado aos seus interesses; que só procede por interesse.
2. Feito por interesse.
3. Pessoa interesseira.
4. Pessoa que, quando fica a saber que Joana da Sibéria anda a fazer voluntariado (logo, não remunerado) na Cruz Vermelha, arregala os olhos e solta um alto e desavergonhado "Mas porquê?!".

Vivemos num mundo confuso e, se há coisa que confunde os interesseiros, é que uma pessoa faça algo sem receber algo óbvio em troca. Mas de vez em quando eu faço coisas insanas como enviar dinheiro e comida para instituições de protecção aos animais (Mas era só o que faltava, vais gastar dinheiro com isso? Mas então gostas mais de animais do que de pessoas?), doar o meu tempo à Cruz Vermelha (Mas porquê?) e enviar roupas para instituições de caridade (Mas dá tanto trabalho, eu cá não estou pra isso, eles que trabalhem e comprem roupas que eu também trabalhei muito para comprar as minhas, pensam eles, sentindo-se muito honestos e trabalhadores). Eu ia jurar que me preferiam a traficar droga. Afinal sempre ganhava uns trocos.


quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Sobre o jogo de ontem


Primeiro, proibi-me a mim mesma de o ver. Desde aquele fatídico jogo em 2009 ou 2010, em que as equipas empataram apesar de todos os sábios conselhos que proferi alapada no bar, que me convenci que dou azar à nossa selecção. E por isso ontem dispus-me a fazer um sacrifício pela pátria e a continuar com o meu dia como se fosse um dia qualquer. (Um pouco de egocentrismo por dia, nem sabe o bem que lhe faria).

Depois, ao telefone com a minha prima, ela proferiu as sete palavrinhas mágicas: "Eles vão começar a cantar o hino!" e eu liguei a televisão como se de uma urgência se tratasse. Só para ouvir o hino. Hu-um. Passados 95 minutos ainda estava alapada no sofá, com os nervos em desalinho.

Acompanhei os relatos dos jornalistas e as entrevistas pós-jogo aos jogadores suecos e, aqui entre nós, este povo nunca pára de surpreender-me com a sua humildade. "Eles jogaram melhor do que nós. Eles são melhores do que nós. É só isso". (Pois é, rapazes, pois é. Mas vocês também deram luta. Beijinhos.)




segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Vinte e seis coisas que aprendi em vinte e seis anos de vida



26. Gosto de fazer listas.
25. Pede desculpa por aquilo que fazes mas não por aquilo que és.
24. As pessoas são como as cores - algumas não combinam.
23. Começar a pintar o cabelo foi um dos maiores erros que cometi nesta minha curta vida.
22. Beber água faz milagres e tomar vitaminas também.
21. A maioria das pessoas não sabe o que o adjectivo "cínico" significa.
20. A vida é injusta e a prova disso é que o filho de sete anos da minha prima tem pestanas mais compridas do que as minhas.
19. Há dois tipos de pessoas no mundo. As que choraram com o Rei Leão e as que não.
18. Ouvir mais, falar menos.
17. Os homens não são todos iguais (não que eu algum dia tenha acreditado nisso).
16. Algumas das coisas que consideramos fúteis não são fúteis porque nos fazem sentir bem connosco mesmas.
15. Crescer nos anos 90 foi uma benção.
14. O poder do fio dentário é subestimado.
13. Há muita gente que ainda não aprendeu a usar o Facebook.
12. O dinheiro não compra a felicidade mas a pobreza também não.
11. A minha verdadeira vocação é viajar e comer bolos.
10. É preciso ter cuidado com aquilo que se deseja.
9. Ainda há boas pessoas e elas fazem com que o mundo seja um sítio muito melhor.
8. Felicidade é ter uma amiga com quem viajar.
7. Infelicidade é não cessar de comparar a nossa vida com a vida dos outros.
6. Usar protector solar. Sempre.
5. O cheirinho dos livros é um dos melhores cheirinhos do mundo.
4. Ser picada por uma abelha não é a tragédia que eu e a minha fobia imaginávamos que seria.
3. A vida fica mais fácil quando paramos de tentar mudar os outros e aceitamos aquilo que eles (não) nos podem dar.
2. É bom ter opiniões e é ainda melhor saber quais delas devemos guardar para nós mesmos.
1. Independentemente do que digam os dermatologistas e as revistas, o chocolate dá acne sim senhora.

domingo, 3 de novembro de 2013

Crónicas de uma fonte inesgotável de ideias parvas


Alguma vez vos contei que sou uma fonte inesgotável de ideias parvas? É verdade, e quem me conhece bem sabe disso. A ideia de ontem foi voltar ao ginásio depois de uma semana sem lá ir e experimentar uma aula que não conhecia sem me informar primeiro do que era. Com o estômago quase vazio. (Estão a ver onde é que isto vai parar, não estão?). Ia a aula a meio quando quase desmaiei e me encontrei rodeada de três instrutoras preocupadas, e eu sem um buraco onde me esconder. Depois de me oferecer duas pastilhas de açúcar, uma delas explicou-me que aquela era a aula mais difícil que o ginásio oferecia e eu fingi-me surpreendida. (Olhando para trás, devia ter desconfiado da ausência da habitual multidão de idosos participantes). E agora estou aqui a escrever-vos com os meus dedinhos, uma das poucas partes do meu corpo que escaparam às consequências da minha burrice crónica. Acho que vou ter dores nos abdominais e nas pernas para o resto da minha vida, e olhem que estava a planear viver mais umas décadas. Mas não faz mal, aqui entre nós não há nada que não possa ser resolvido ou melhorado com um dia de pura preguiça na companhia da minha almofada de trigo quentinha, de um copo de chá verde com limão e de uma maratona de coisas inúteis.