terça-feira, 25 de março de 2014

Das concessões que se fazem quando se vive na Suécia


Tirar os sapatos ao entrar em casa. Apertar a mão em vez de dar beijinhos. Beber café de filtro em vez de "expresso". Pagar 1€ para ir à casa-de-banho no shopping. Não ver o sol durante semanas a fio. Usar esta coisa para lavar a louça.


Lava tão bem a louça como uma esponja? Não.
Faz-me confusão? Sim. Muita? Sim. 
Recusei-me a usá-la durante os meus primeiros três anos de Suécia? Mais ou menos.
Mas... não estraga as mãos. Estou rendida.

sábado, 22 de março de 2014

Manhã de sábado


Plano: limpar a casa
Realidade: li blogs e vi o filme "Precious". 


Decidi ver este filme por curiosidade, pois tem a ver com o meu futuro ramo profissional. Precious é uma adolescente de 16 anos com muitas dificuldades em casa: entre outras coisas, é violada pelo pai desde criança, engravidando duas vezes, e sofre ainda de maus tratos físicos e psicológicos por parte da mãe. Durante a sua segunda gravidez, a adolescente é expulsa da escola onde anda e passa a frequentar uma escola de "ensino alternativo", onde é incentivada a mudar a sua vida...

Não foi fácil ver este filme. Ele desperta muitas emoções, não apenas pelo enredo, que já em si é dramático, mas também pelo excelente desempenho dos actores. No entanto, a força interior de Precious (que apesar de tudo consegue pensar por si mesma e sobretudo lutar para dar a volta à sua situação) e a esperança que se sente no final, fazem com que valha a pena. Recomendo.

E vocês, o que andam a fazer?

terça-feira, 11 de março de 2014

A minha colega mimada


Hoje foi mais um dia de trabalho de grupo na universidade. Numa das pausas para café e conversa, uma das minhas colegas, que tem os seus 20 anos, faz-nos uma revelação. "Tenho que confessar que sou mesmo muito mimada. Os meus pais ainda me pagam a conta do telemóvel." Eu calei-me, mas fiquei a pensar com os meus botões... se ela é mesmo muito mimada, o que são os jovens portugueses (eu incluída)? 


sábado, 8 de março de 2014

Queria uma caixinha de lentes de contacto azuis e um passaporte novo, se faz favor.


Eu tinha sido avisada, mas preferi pensar que era mito urbano. Há quem pense que o nosso pequeno jardim à beira-mar fica na América do Sul. Conheço emigrantes portugueses que se queixam da frequência dos enganos mas, das duas uma, ou tenho tido sorte com as pessoas com que me cruzo ou então não ando a conviver com muita gente. 
Sei que em cinco anos de aventuras escandinavas nunca me tinham feito uma dessas. Normalmente as reacções que as pessoas têm quando lhes digo que sou portuguesa podem ser divididas em cinco categorias: 

1. Ah, Ronaldo! Gosto muito do Ronaldo, é o maior! / Não gosto do Ronaldo, é tão arrogante!; 
2. Ah, Mourinho! Gosto muito do Mourinho, é o maior! / Não gosto do Mourinho, é tão arrogante!; 
3. Uma vez estive em Espanha e gostei muito!;  
4. Uma vez estive em Lisboa/Algarve e gostei muito! 
5. Mas que língua é que falam em Portugal?...; 

Também já tive a infelicidade de ver Portugal no mapa no telejornal, mas cortaram o "P" e ficou "ortugal" (doeu um bocado). Mas... até há pouco tempo nunca tinha ouvido essa da América do Sul. Foi mais ou menos assim: numa loja, a funcionária mete conversa comigo. Venho a saber que é turca e vive na Suécia desde criança. Quer saber donde sou e o que estou a fazer aqui. "Ah, portuguesa, está bem! E estás a estudar, que bom! Foi fácil obter o visto?" Eu: "Hmm... Portugal faz parte da E.U. por isso não houve problemas". Ela: "Ahh... é que conheço por exemplo muitos chilenos e para eles foi muito difícil". 

Podia ser pior. Uma vez uma senhora árabe convenceu-se que eu era árabe e ficou furibunda quando lhe disse que não falava árabe. Uma vizinha, provavelmente também convencida que eu era "desses países", só começou a dirigir-me a palavra, e mal, quando ficou a saber que eu era portuguesa (ou seja, europeia, ou seja, não árabe). A minha prima passou por algo ainda pior: um grupo de árabes, também convencidos que ela era árabe, insultaram-na aos berros por ela não estar a usar véu. Não é fácil ter olhos castanhos e cabelo castanho neste país. Não é fácil ser portuguesa neste país (talvez não seja fácil ser-se português em lado nenhum). Sai uma caixinha de lentes de contacto azuis e um passaporte novo, se faz favor. 

P.S. Ou não. Ainda te amo, "ortugal".