quinta-feira, 30 de junho de 2016

Eu, latina?


Eu não fazia ideia que era latina, mas desde que me mudei para a Suécia passei a ser.

Quando uso o cabelo ao natural, encaracolado, dizem que estou com um ar "muito latino/mediterrâneo".

Quando uso roupas com folhinhos, dizem "estás tão latina hoje!".

Quando tenho frio e o resto do pessoal não, dizem que é por ser latina/mediterrânea.

Quando não quero passar horas a fio ao sol a meio do dia, dizem "mas... tu és latina/mediterrânea!".

Quando vêem que uso SPF 30 dizem "mas... tu és latina/mediterrânea e a tua pele latina/mediterrânea não precisa de tanta protecção!".

Quando vêem que uso azeite para cozinhar e fritar, riem-se e dizem "vê-se mesmo que és mediterrânea" (eles usam margarina e "rapsolja", que o Google traduz como "óleo de colza").

Mas acima de tudo eles acham piada ao facto de eu pôr as mãos nas ancas quando estou chateada ou indignada, a ralhar com algo, e eu nem sabia que fazia isso. Tão latina!

E era só isso. De mão na anca depois de mais um dia de trabalho, mas não chateada.
E sim, já tentei explicar que o termo "latino" se refere a pessoas da América do Sul e que Portugal não é um país mediterrânico mas sim Atlântico, mas a reacção deles é sempre a mesma "sim sim sim... deve ser". E riem-se, e continuam a chamar-me latina. E eu ponho as mãos nas ancas.

P.S. O jogo começou apenas há 7 minutos... ainda vou a tempo de desistir de ver, certo?

domingo, 19 de junho de 2016

Seguir o coração


No outro dia apercebi-me que, se tudo correr bem, falta menos de um ano para terminar a minha licenciatura em Serviço Social. Há dois anos e meio cheguei à Universidade de Örebro com uma sensação insacudível (acho que acabei de inventar esta palavra, significa algo que não dá para sacudir, ok?) de não pertencer ali e à espera do momento em que me perguntassem o que estava ali a fazer, e se achava meeeeeesmo que iria dar conta de trabalhos, exames e teses universitárias com o meu sueco acabado de aprender. Eu já tinha feito uma licenciatura, mas decididamente não em sueco. Foi em português, em Portugal, e parece que foi há duas vidas atrás. De qualquer forma, em breve dei comigo a corrigir textos de pessoas nascidas e criadas na Suécia, mas a sensação de não pertencer ali ficou. Lição: os elogios todos do mundo só fazem diferença se os conseguirmos "receber" e quanto às conquistas, apenas sentimos orgulho delas quando nos permitimos senti-lo. E no meu caso demorou. Era a minha insegurança relativamente ao meu sueco. Era o facto de ter acabado de me mudar para Örebro. Era o facto de ser a única imigrante europeia e "nova" numa turma em que a grande maioria é sueca das cidades e aldeias mais próximas e a restante parte é imigrante de segunda geração, já nascida na Suécia. Era o facto de estar a mudar de rumo aos 26 anos (o que na Suécia é mais do que comum... mas eu não sou sueca). Era o facto de a minha situação financeira mudar bastante para pior, ou seja, passar de trabalhar a tempo inteiro e receber um salário a ser estudante a tempo inteiro (sendo que os estudos são grátis e cada estudante recebe o chamado CSN, composto em parte por uma bolsa de estudo e em parte um empréstimo a juros baixíssimos, tudo junto são cerca de 1000 euros, o que na Suécia é uma espécie de limite mínimo para viver). Eram as dúvidas e comentários das pessoas que me rodeavam (que houve). E eram mais uns factores psicológicos e pessoais que não quero discutir aqui. As perguntas foram muitas e constantes, e passei muito tempo sem perceber bem o meu lugar "no mundo". Foi como passar por uma segunda adolescência, mas na idade adulta e longe da minha família e dos meus pontos de referência.

Como vos dizia, a sensação demorou a passar, mas passou, e hoje não podia estar mais feliz por ter escolhido o curso que escolhi; não podia estar mais satisfeita por ter escolhido o percurso mais difícil apesar dos medos e não podia estar mais orgulhosa por não ter dado ouvidos a certos comentários. Talvez seja demasiada presunção num post só, mas que seja. Às vezes é preciso parar e celebrar. Falta apenas um ano para terminar o curso. Estou no meu segundo trabalho dentro da minha área apesar de ainda não ter concluído a licenciatura. E (o mais importante de tudo) estou numa área no qual posso despojar todo o meu coração. Porque segui o meu coração.


domingo, 12 de junho de 2016

O que é que fazias com 37 326 euros?


Coisas que aconteceram desde que escrevi o o último post:

- Terminei o meu estágio da agência estatal de emprego;
- Mudei-me para Estocolmo, onde trabalho a tempo inteiro no Verão;
- Comecei o meu trabalho de Verão na Segurança Social;
- Ganhei 37 326 euros. Não, mas agora a sério. Fui a um bar onde constava uma garrafa de champagne de 37 326 euros no menu! De 15 litros, mas ainda assim. Uns modestos 2 488 euros/litro. Ainda olhei várias vezes para o menu para confirmar se estava a ver bem, e estava. O Senhor Champagne chama-se Armand de Brignac (Brut Gold). O bar chama-se Rose e fica em Östermalm, que é uma das áreas mais chiques de Estocolmo. A pergunta obrigatória é: quem é que gasta assim tanto dinheiro em vinho, mesmo podendo? Quem? E a outra pergunta é: o que é que vocês faziam com 37 326 euros?
- Descobri a minha falta de talento para o sumo. Mas diverti-me muito e dizem que rir faz bem aos abdominais.



A programação volta ao normal em breve, e estou ansiosa por voltar aos vossos blogues. Até lá vou poupando uns trocos para comprar champagne. Ou não... ou não.


quinta-feira, 2 de junho de 2016

Trabalhar para o bronze


Este não é um post patrocinado...
Este ano decidi dizer no más a pernas brancas e a fotos de Verão que mais tarde me fazem ranger os dentes. Uma vez que costumo ter férias bastantes curtas e o bronze demora a acontecer (especialmente nas pernas), normalmente só no regresso a casa é que tenho uma cor digna de se ver. Eu até podia ir ao solário. Na Suécia há solários em tudo o que é esquina e é muito barato frequentar, até porque a maioria dos solários são self-service, ou seja, bastante baratos de gerir... mas eu recuso-me e um dos meus sonhos é que os solários sejam proibidos ou pelo menos sujeitos a impostos pesados.

Nos últimos tempos tenho uma rotina bastante simples para ir ganhando cor gradualmente: esfoliação, creme auto-bronzeador e muita hidratação pelo meio. Encontrei o DermaSpa Summer Revived da Dove, para auto-bronzeado gradual. Não o uso todos os dias, mas sim nos dias em que lavo o cabelo (quando me lembro). Antes de usar, esfolio sempre com óleo de côco e açúcar. Depois aplico o creme. É muito fácil de aplicar e não deixa manchas nem riscos nenhuns. Ele não tem o cheiro intenso que alguns auto-bronzeadores têm. Ele é muito acessível. Ele é simplesmente o creme para pessoas como eu, que querem ser vaidosas sem grandes complicações e sem gastar rios de dinheiro. Costumo usá-lo à noite e na hora de me vestir após a aplicação uso uma t-shirt XXL versão masculina, daquelas largueironas mesmo, para o deixar secar enquanto me passeio pela casa. A desvantagem é que há que ter paciência até se obter a cor desejada, ou seja, convém começar a tempo. No meu caso, o mais provável é complementar este creme com um auto-bronzeador temporário (dos que se removem no duche) nas pernas quando tiver de usar saias ou calções.

E porque um bronze bonito requer uma pele hidratada, nos dias em que não uso o auto-bronzeador faço questão de hidratar com óleo de bebé ou o óleo DermaSpa Goodness, também da Dove. Uso na pele húmida após o duche, massajo, seco com a toalha e voilá.