quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

A Suécia e os tabus #2


Dar beijinhos. Esta é mais uma que provavelmente já comentei, mas é tão importante que vale a pena relembrar. Os Suecos não dão beijinhos na cara.  Os Suecos cumprimentam com um aperto de mão em situações formais, dão abraços aos amigos e cumprimentam conhecidos/pessoas que não conhecem bem com um simples "olá". Para eles, dar beijinhos na cara é considerado íntimo e semi-sexual. Para mim é ao contrário. Os abraços parecem-me íntimos (há muito mais contacto físico) e levou algum tempo a adaptar-me a eles. Mas voltando aos Suecos. É claro que eles tentam adaptar-se quando visitam outras culturas, na onda "em Roma sê romano", e se forem a Portugal e conviverem com Portugueses o mais provável é até darem uns beijinhos tímidos... Mas, na Suécia, não contem com isso. Em caso de dúvida, cumprimentem com um simples "olá". Resulta perfeitamente!

Perguntar o sexo do bebé. A amiga Sueca está grávida? O melhor é não perguntar o sexo do bebé. Muitos Suecos optam por não querer saber até ao nascimento, e pelo que me contam, no hospital só lhes dão essa informação se pedirem expressamente. E isto tem muito a ver com a igualdade entre os sexos, e com a ideia de o sexo do bebé não fazer diferença. O melhor é comprar uma prenda unisexo para o(a) bebé e conter a curiosidade. É um tópico bastante delicado.

"Os homens são mesmo assim ha ha...". Isto que se segue varia bastante de região para região e até entre classes sociais, mas pelo menos em Estocolmo (a Meca do politicamente correcto), discutir diferenças entre os sexos é tabu e meio. A Suécia é um dos países do mundo que mais progresso fez no que diz respeito à igualdade de direitos entre homens e mulheres (boa!), mas o feminismo continua mais vivo do que nunca. Vê-se muita gente com tatuagem feminista. Fala-se de feminismo e de igualdade diariamente. No jornal, na televisão, na pausa do café, na internet. É uma discussão muito acesa e normalmente comentários sobre atributos "tipicamente" masculinos e femininos, ou à distribuição tradicional de tarefas, ou resultam em fricção ou em silêncios desconfortáveis. Eu evito simplesmente esse tipo de conversas. Sim, considero-me feminista, por acreditar e desejar a igualdade de direitos entre os sexos e tudo o que isso implica. Porque para mim é esse o significado do feminismo. Mas também sei que nem toda a gente tem a mesma definição, e que tudo o que se diz tem potencial para ser mal interpretado. E também sei que, por ser do Sul da Europa, muitas vezes a gente parte do princípio que eu não estou sensibilizada para questões de desigualdade entre os sexos - o que também contribui para más interpretações.  O melhor é falar do Ronaldo mesmo. Ou das ondas da Nazaré!


21 comentários:

  1. Essa seção de posts está muito boa. A gente paga muitos micos, né? Aqui na Suíça é o contrário. O povo se cumprimenta somente com Olá, mas quando você conhece a pessoa um pouquiiinho mais, eles dão 3 beijos. Como em São Paulo é um só, eu vivo deixando as pessoas no vácuo. Agora a questão de gênero, entendo que deve ser muito fácil "falar bobagem" na Suécia, faz bem de falar pouco. Mas que eu admiro essa disposição que eles tem de corrigir esse atraso social, eu admiro.

    ResponderEliminar
  2. Muita coisa se pode extrapolar para o norte da Euro (a estou a ver)...
    Os beijinhos aqui também são uma delas, mas como eu sou portuguesa eles já se habituaram e quando um colega faz anos e eu não dou beijinho até ficam ofendidos...
    Sexo do bebé também é tabu para alguns casais aqui.

    ResponderEliminar
  3. Adorei ler este post.:P

    Another Lovely Blog!, http://letrad.blogspot.pt/

    ResponderEliminar
  4. Também considero os abraços mais íntimos que um beijinho na cara.

    ResponderEliminar
  5. Adorei conhecer um bocadinho mais sobre os suecos, nestes teus dois posts. Aqui em Londres, também demorou a me habituar a não dar beijinhos na cara, à falta de toalhas na mesa e a esta coisa de, sempre que vou a casa de alguém,, ter de levar algo! :p

    ResponderEliminar
  6. ora bem os suecos são uma raça que não conheço bem mas podes continuar com estes posts :D

    ResponderEliminar
  7. Concordo que o Ronaldo e as ondas na Nazaré são os melhores assuntos :D ahahah
    A dos beijinhos não me faz confusão, adoro. Nós, países quentes do Mediterrâneo, é que gostamos de dar beijinhos a tudo e todos. Prefiro apertos de mão ou um simples "hi!".

    ResponderEliminar
  8. Gosto sempre imenso de ler os teus posts!
    Beijinho grande

    ResponderEliminar
  9. Muito bom o post, fartei-me de rir. Dos beijinhos já me recordava de teres comentado, do sexo do bebé... não me recordava de todo. A Suécia, através de ti, tem estado na minha lista de viagens que têm mesmo de acontecer!

    ResponderEliminar
  10. A parte dos abraços acho que me iria trazer um certo incómodo!

    ResponderEliminar
  11. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderEliminar
  12. Tambem sou feminista, mas daquele bom e velho feminismo, "feminismo" canhoto moderno nao me representa, at all. A parte do beijo no rosto ja conhecia, e tambem acho o abraco algo mais intimo que um ou dois beijinhos no rosto, rs.

    ResponderEliminar
  13. a parte dos abraços também é assim aqui na Áustria. faz-me confusão andar aos abracinhos, acho bem mais íntimo que dois beijinhos na cara! (que na verdade nem damos beijinhos, simplesemnte encostamos as faces...)

    ResponderEliminar
  14. Continua com estes posts, estou a gostar imenso! Bem, se isso é o país dos abraços, para mim não sei se ia dar... é coisa que detesto =P

    ResponderEliminar
  15. Adorei estes dois posts <3

    Por acaso a Suécia é um país que gostávamos de conhecer :)
    [E olha que até partilho algumas das pancas com eles! ahahah]

    Beijinho,

    ResponderEliminar
  16. Olha, eu nunca gostei muito de beijar pessoas que mal conheço e muito menos de abraços. Só pessoas muito próximas mesmo e familiares. Detesto gente que vem falar com você e vem colocando a mão!rs Então que quando cheguei na Holanda, este certo distanciamento para mim foi muito bom hahaha
    Sobre o sexo do bebê, não se pergunta para estranhos, mas entre os familiares a gente fica sabendo sim se é menino ou menina. Agora o nome eles não dizem NUNCA hahaha só depois no cartão do aviso de nascimento.
    Aqui também não se tem a preocupação com "isto é coisa de homem" ou "aquilo é coisa de mulher", mas vamos ser realistas que homens e mulheres não são iguais e possuem suas inclinações. Só acho que cada um faz o que tem que ser feito e pronto.

    ResponderEliminar
  17. Eu não cumprimento quase ninguém com beijinhos, mas abraços tb não. Olá chega bem! :D
    Gosto destes posts sobre os tabus :)

    ResponderEliminar
  18. Olha a cena de comprimentar... eu adoro! Aqui no UK é igualzinho... eles não são de beijinhos de todo. Têm a cena de abraçar quando já são teus amigos mas ok, nada de beijinhos LOL Quanto aos pais não saberem o sexo do bebé, aqui no UK não é um tabu perguntar mas cada vez mais preferem não saber o sexo do bebé até ao dia D.

    Beijinhos,
    O meu reino da noite ~ facebook ~ bloglovin'

    ResponderEliminar
  19. Dar abraços como forma de cumprimento é muito mais higiénico. : )) Tb temos esse hábito. Prefiro um abraço aos beijos no rosto mesmo que fingidos.

    ResponderEliminar
  20. Olá :) achei muito interessante esses tabus dos beijinhos e do sexo do bebé. Realmente, concordo contigo, abraços são gestos mais íntimos, mas enfim... Quanto ao sexo do bebé, sendo eles tão a favor da igualdade de sexos, até se entende. O que achei mais engraçado foi a necessidade de andar com um par de meias na mala ou pantufas para ir a casa de amigos!

    ResponderEliminar