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terça-feira, 28 de julho de 2015
quarta-feira, 30 de julho de 2014
A Joana responde #1: então como é a vida na Suécia?
No outro dia aconteceu de novo. Conheci os amigos de um amigo e o tema de conversa foi dar à Suécia. Não se já vos contei, mas a maior vantagem de ser emigrante é ter sempre um tema de conversa garantido em qualquer ocasião social. Um por um fizeram-me as perguntas da praxe sobre a Suécia, às quais eu quase nunca estou preparada para responder assim de repente, mesmo depois de 5 anos de exílio. Resolvi tentar responder a essas perguntas aqui no blogue, que também é para isso que ele serve. Leiam se aguentarem. Se não aguentarem, deixem só um comentário a dizer "és chata mas gostamos de ti na mesma".
#1 Então como é a vida na Suécia?
Uma vez ouvi alguém a responder a essa pergunta com um "a vida na Suécia é igual à vida em qualquer outro sítio" e achei isso ingénuo. Sim, na Suécia também se acorda, também se toma o pequeno-almoço, também se tem dias bons e maus, também se fica doente, também se bate com os dedos dos pés nos cantos dos móveis (do Ikea, é claro)... mas em muitas coisas, a vida na Suécia em pouco ou nada se compara à vida em Portugal. Eu habituei-me a dizer que a vida na Suécia é boa ou má, dependendo daquilo que se valoriza mais. Valorizas igualdade e justiça social, sair cedo do trabalho, ter segurança e apoio do Estado em caso de doença, ter acesso a estudos grátis e a licença de maternidade paga por mais de um ano e esse tipo de coisas? O mais provável é gostares da vida na Suécia. Se por outro lado não te imaginas sem verões quentes, fazer noitadas até às 6 da matina todos os fins-de-semana, fazer jantaradas, passar os dias na praia a beber Minis (Radler para mim!), falar à vontade com vizinhos e estranhos e estar com a família e os amigos de sempre, estás melhor em Portugal. Não quer dizer que não se possa valorizar todas estas coisas, mas acho que regra geral todos valorizamos mais umas ou outras e ir para a Suécia ou ficar em Portugal costuma implicar sacrificar um lado ou o outro. Já conheci quem tenha emigrado para a Suécia "simplesmente" por sentir que não ganhava tanto quanto devia e que não era valorizado no local de trabalho. Também já conheci quem se recuse a emigrar "simplesmente" por não se imaginar a não estar com a mãe todos os dias. Todos estes motivos são válidos, acho que o problema começa quando tentamos ignorar as coisas que realmente são essenciais para nós.
Aos 20 anos, quando fui para a Suécia, estas coisas não me passaram pela cabeça. Tinha acabado de terminar o namoro com o meu primeiro grande amor e concluído a minha licenciatura, queria ter a experiência de viver no estrangeiro e estava ansiosa por ser independente. Acho que passei mais tempo a fazer a mala do que a pensar sobre a minha decisão. Se me confrontasse com a mesma opção hoje em dia, se calhar a minha decisão teria sido diferente porque me conheço melhor, o que implica saber quais são os meus "essenciais".
A minha opinião pessoal é aquilo que escrevi lá acima: a vida na Suécia é boa ou má, dependendo daquilo que procuramos. Há pessoas que nunca seriam felizes na Suécia, apesar de em teoria a Suécia ser um excelente sítio para viver. Estou a lembrar-me de uma espanhola com quem partilhei casa. Detestava a Suécia com todas as suas forças porque os cocktails custavam quase 20 ouros, porque a disco fechava às 2 da manhã, porque na Espanha estavam 22 graus e na Suécia estavam -5 e porque a comida era cara. (Enquanto isso eu andava encantada com o facto de poder estudar sueco sem pagar e com as pessoas, que punham casinhas e comida para os pássaros nos seus jardins). Talvez pareçam ninharias, mas a verdade é que a espanhola nunca se adaptou à Suécia. Hoje vive na Espanha e está muito feliz. Tenho outra amiga que nunca se deu bem com os homens suecos porque não lhe pagavam a bebida nos encontros, o que ela interpretava como desinteresse (uma diferença cultural por dia, nem sabe o bem que lhe fazia). Por outro lado, também há pessoas que nunca seriam felizes em Portugal (nem na Espanha, já agora) por causa de coisas como o preço exorbitante da electricidade, a corrupção e o calor. Como diz o outro, gostos não se discutem...
Uma vez ouvi alguém a responder a essa pergunta com um "a vida na Suécia é igual à vida em qualquer outro sítio" e achei isso ingénuo. Sim, na Suécia também se acorda, também se toma o pequeno-almoço, também se tem dias bons e maus, também se fica doente, também se bate com os dedos dos pés nos cantos dos móveis (do Ikea, é claro)... mas em muitas coisas, a vida na Suécia em pouco ou nada se compara à vida em Portugal. Eu habituei-me a dizer que a vida na Suécia é boa ou má, dependendo daquilo que se valoriza mais. Valorizas igualdade e justiça social, sair cedo do trabalho, ter segurança e apoio do Estado em caso de doença, ter acesso a estudos grátis e a licença de maternidade paga por mais de um ano e esse tipo de coisas? O mais provável é gostares da vida na Suécia. Se por outro lado não te imaginas sem verões quentes, fazer noitadas até às 6 da matina todos os fins-de-semana, fazer jantaradas, passar os dias na praia a beber Minis (Radler para mim!), falar à vontade com vizinhos e estranhos e estar com a família e os amigos de sempre, estás melhor em Portugal. Não quer dizer que não se possa valorizar todas estas coisas, mas acho que regra geral todos valorizamos mais umas ou outras e ir para a Suécia ou ficar em Portugal costuma implicar sacrificar um lado ou o outro. Já conheci quem tenha emigrado para a Suécia "simplesmente" por sentir que não ganhava tanto quanto devia e que não era valorizado no local de trabalho. Também já conheci quem se recuse a emigrar "simplesmente" por não se imaginar a não estar com a mãe todos os dias. Todos estes motivos são válidos, acho que o problema começa quando tentamos ignorar as coisas que realmente são essenciais para nós.
Aos 20 anos, quando fui para a Suécia, estas coisas não me passaram pela cabeça. Tinha acabado de terminar o namoro com o meu primeiro grande amor e concluído a minha licenciatura, queria ter a experiência de viver no estrangeiro e estava ansiosa por ser independente. Acho que passei mais tempo a fazer a mala do que a pensar sobre a minha decisão. Se me confrontasse com a mesma opção hoje em dia, se calhar a minha decisão teria sido diferente porque me conheço melhor, o que implica saber quais são os meus "essenciais".
A minha opinião pessoal é aquilo que escrevi lá acima: a vida na Suécia é boa ou má, dependendo daquilo que procuramos. Há pessoas que nunca seriam felizes na Suécia, apesar de em teoria a Suécia ser um excelente sítio para viver. Estou a lembrar-me de uma espanhola com quem partilhei casa. Detestava a Suécia com todas as suas forças porque os cocktails custavam quase 20 ouros, porque a disco fechava às 2 da manhã, porque na Espanha estavam 22 graus e na Suécia estavam -5 e porque a comida era cara. (Enquanto isso eu andava encantada com o facto de poder estudar sueco sem pagar e com as pessoas, que punham casinhas e comida para os pássaros nos seus jardins). Talvez pareçam ninharias, mas a verdade é que a espanhola nunca se adaptou à Suécia. Hoje vive na Espanha e está muito feliz. Tenho outra amiga que nunca se deu bem com os homens suecos porque não lhe pagavam a bebida nos encontros, o que ela interpretava como desinteresse (uma diferença cultural por dia, nem sabe o bem que lhe fazia). Por outro lado, também há pessoas que nunca seriam felizes em Portugal (nem na Espanha, já agora) por causa de coisas como o preço exorbitante da electricidade, a corrupção e o calor. Como diz o outro, gostos não se discutem...
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