Não há vôos directos Porto - Estocolmo. A viagem leva-me quase sempre um dia inteiro (muitas vezes com direito a acordar às cinco da matina ou mais cedo), durante o qual me concedo way too many caprichos para compensar pelo tédio, pelo cansaço, pela solidão. Ele é livros e revistas; ele é produtos da loja duty free; ele é atacar todos os itens comestíveis que me dê na real gana apesar dos preços astronómicos (já para não falar daquele fenómeno curioso em que as minhas roupas encolhem). E assim vou conhecendo os aeroportos da Europa e desenvolvendo as minhas tácticas de sobrevivência. Desta vez fiz escala de cinco horas em Zurique e como a cidade fica apenas a dez minutos de comboio do aeroporto, lá fui eu. O bilhete de ida e volta e custa cerca de 13€. Encontrei Zurique on fire, quase literalmente. Um calor de morrer (30 graus). Um desfile de milhares de pessoas bastante tocadas pelo álcool, uma espécie de cruzamento do Carnaval com o Pride com a Queima das Fitas. Tinha planeado fazer algo decente, do género almoçar e tomar um café na zona histórica, que por sua vez fica perto da estação, mas a cidade foi completamente invadida pelo pessoal do desfile e por isso não deu para fazer grande coisa (acabei por comer no Mc Donalds do aeroporto). Mas foi giro. Quase fui arrastada para o meio da multidão. Vi ao longe as montanhas que rodeiam a cidade. Passeei ao longo do rio. Tirei resmas de fotos, todas elas de qualidade péssima. Ganhei uma espécie de bronze que não me foi concedido em duas semanas de férias em Portugal #ironiasdavida. E assim passam cinco horas a voar.
Ah. A Sandra do Fondue e Chocolate documentou o desfile de forma mais pedagógica aqui!



