segunda-feira, 11 de abril de 2016

Joana, a embaixadora de Portugal


Ninguém me pediu e o Turismo de Portugal não me paga (embora esteja sempre disponível para negociar), mas desde que emigrei parece que acho que sou uma espécie de embaixadora de Portugal (embaixadora ou embaixatriz?). Quando cometo uma gaffe (ou duas, ou oitenta), fico sempre com um pequeno receio que achem que todos os Portugueses são assim. Ou que todos os imigrantes sejam assim. E é assim que, entre outras coisas, às vezes dou comigo a cumprir regras que nem os Suecos cumprem e das quais nem o Menino Jesus quer saber. E assim vou tentando manter a honra do nosso país intacta. Mas depois há aquele momento em que me dizem "Ah e tal este fim-de-semana vi o Night Train to Lisbon... já viste?". E eu não vi, e nem sequer tenho uma boa justificação. Porque quem arranja tempo para ver a nova série do James Franco (11.22.63) e todos os seus momentos de actuação de qualidade dúbia também consegue arranjar tempo para ver o Night Train to Lisbon. Mas pelo sim pelo não, aproveitei a ocasião para fazer um discurso sobre os encantos de Lisboa a Sintra, passando pelo Gerês.





quinta-feira, 7 de abril de 2016

Das diferenças culturais: a Suécia e as crianças



O parque de estacionamento


Já vos contei que é normal não ser permitida a entrada a crianças em certos cafés e restaurantes, especialmente em Estocolmo? E que é normal as crianças serem excluídas de convites para casamentos e outros eventos? E que em certos sítios é permitida a entrada a crianças mas não a carrinhos de bebé (como na foto)? E que é normal os pais deixarem os filhos a dormir a sesta dentro dos carrinhos de bebé, ao ar livre, devidamente estacionados à porta de estabelecimentos comerciais e restaurantes, enquanto os pais fazem a sua vida? Dizem que o ar fresco faz bem aos miúdos e que assim também não incomodam ninguém/não ocupam espaço. E continuando no tema do ar fresco, também não é raro estacionarem os miúdos na varanda de casa (dentro do carrinho) para dormirem a sesta, mesmo no Inverno.
Por outro lado, por cá são as crianças que mandam no horário e rotina dos pais. Não há festas depois das 19:00 ou das 20:00 para ninguém. Não há saídas espontâneas. Não há, de todo, compromissos na hora de o bebé ir para a cama, e se tiverem convidados em casa não é raro "expulsá-los" de casa na hora de o bebé dormir. Confesso que acho bem serem tão organizados no que diz respeito à rotina dos miúdos porque na minha opinião as crianças precisam de estrutura no dia-a-dia (é fácil falar quando não se tem filhos), embora seja um projecto e meio tentar combinar algo com casais que têm filhos. Também sou a favor da escolha, do facto de se poder escolher ir a um restaurante sem crianças se assim se quiser. E sim, acho que o ar fresco faz bem aos miúdos mas acho que não me atrevia a deixar o meu baby imaginário estacionado à porta, com medo que o raptassem. Chamem-me paranóica, mas... no way.


quarta-feira, 23 de março de 2016

A vida em fotos #2



O festejo do St. Patrick's Day, na semana passada, com música ao vivo. Adoro pubs e todas as desculpas para ir são boas!



No estágio, a chefe achou boa ideia comprar um Senhor Ovo da Páscoa de uns respeitáveis 3 kg para o povo e colocá-lo no lugar mais acessível que encontrou. Note-se que nas últimas semanas até tenho cortado bastante no açúcar, mas desde que este ovo chegou à minha vida as coisas têm sido diferentes. Pelo sim pelo não, tenho levado escova e pasta de dentes e lavado os dentes a meio do dia.






O tema da Páscoa continua... 
Gorda mas feliz!


Nem tudo são desgraças. Este tem sido o meu almoço predilecto nos últimos tempos. Não podia ser mais prático. Meto o salmão no forno com um fio de azeite, vou à minha vida e ele praticamente trata de si mesmo. As cenouras, compro-as congeladas e cozo durante cerca de 2 minutos.


O meu primeiro hamburguer de lagosta, num after-work no Burger & Lobster (Norrlandsgatan 33,  Estocolmo), com um "pequeno" grupo de 24 Portuguesas a viver na Suécia. Estava ma-ra-vi-lho-so e o repasto ficou por menos de 30€ (sem bebida) por pessoa, o que para Estocolmo não é nada mau.


Passeio da hora do almoço, porque quando faz sol não dá para ficar dentro de portas sem consciência pesada.


segunda-feira, 21 de março de 2016

O Português preferido dos suecos, a seguir ao CR7



"Sou mais fofinho que o CR7..."

O Cão de Água Português (Portugisisk vattenhund, em sueco)! No estágio são pelo menos duas as colegas que têm um, e há bastantes "produtores" espalhados pelo país. O mais engraçado é que, que me lembre, nunca ouvi falar desta raça nos quase 21 anos em que vivi em Portugal.

segunda-feira, 14 de março de 2016

E depois do Inverno


Os dias andam mais longos e na última semana tivemos sol duas vezes! Os meus olhos estranharam bastante nas vezes em que saí à rua, e acho que está na hora de começar à procura dos meus óculos de sol. Os suecos, que andam bastante atentos ao assunto, dizem que no dia 20 de março irá suceder o chamado vårdagjämning, ou seja, os dias vão finalmente atingir a mesma duração que as noites. E com a luz da Primavera chegam as depressões: supostamente 3 - 5% das pessoas sofrem de depressão sazonal na Primavera, enquanto 10 - 12% simplesmente "se sentem mal" devido ao contacto com a luz. À medida que o corpo se habitua à luz, o mal-estar vai diminuindo (daqui). Eu cá não me posso queixar, ando há meses à espera da minha estação preferida e mal posso esperar para me estender ao sol.

Nybrokajen, Estocolmo (e o parque de diversões Gröna Lund lá ao fundo!), no sábado pelas 18:00, ainda de dia.

quarta-feira, 9 de março de 2016

A vida em fotos




Sushi. Comia todos os dias, se não fosse tão caro.


A bola é o resto da decoração de uma festa que tivemos em casa, o passarinho já faz parte da decoração da Páscoa. Não me perguntem como é que me vou conseguir livrar destes adereços quando chegar a altura...


Dá para reparar que gosto de cactos?


O povo achava que a Primavera estava a chegar, mas como sempre foi falso alarme.


O "uniforme" da entrevista de emprego: jeans escuras, blazer, top e lenço.

terça-feira, 1 de março de 2016

Pouco a pouco vou virando bipolar


Desde que me iniciei na área de Serviço Social que tenho entrado em contacto imensas pessoas com histórias de vida muito complicadas e, em alguns casos, trágicas. Algumas destas pessoas sentem-se derrotadas, outras mantêm uma força interior quase sobrenatural. Estou a pensar num dos clientes, refugiado de guerra, sujeito a prisão e tortura no seu país de origem. Tem perturbação de stress pós-traumático e uma perna amputada a nível da anca. Tem dores ao andar e estar em pé devido a uma má adaptação à prótese. Este senhor telefona quase todos os dias à agência de emprego, às vezes bastante agitado, a exigir que lhe arranjem um emprego. Penso muitas vezes nele. É uma mistura de pena e admiração daqui até à lua.

Mas voltando à bipolaridade: desde que me iniciei nesta área, passo metade dos meus dias triste e a outra metade feliz, a agradecer por tudo aquilo que tenho.