Dar beijinhos. Esta é mais uma que provavelmente já comentei, mas é tão importante que vale a pena relembrar. Os Suecos não dão beijinhos na cara. Os Suecos cumprimentam com um aperto de mão em situações formais, dão abraços aos amigos e cumprimentam conhecidos/pessoas que não conhecem bem com um simples "olá". Para eles, dar beijinhos na cara é considerado íntimo e semi-sexual. Para mim é ao contrário. Os abraços parecem-me íntimos (há muito mais contacto físico) e levou algum tempo a adaptar-me a eles. Mas voltando aos Suecos. É claro que eles tentam adaptar-se quando visitam outras culturas, na onda "em Roma sê romano", e se forem a Portugal e conviverem com Portugueses o mais provável é até darem uns beijinhos tímidos... Mas, na Suécia, não contem com isso. Em caso de dúvida, cumprimentem com um simples "olá". Resulta perfeitamente!
Perguntar o sexo do bebé. A amiga Sueca está grávida? O melhor é não perguntar o sexo do bebé. Muitos Suecos optam por não querer saber até ao nascimento, e pelo que me contam, nas ecografias só dão essa informação aos pais se pedirem expressamente. E isto tem muito a ver com a igualdade entre os sexos, e com a ideia de o sexo do bebé não fazer diferença. O melhor é comprar uma prenda unisexo para o(a) bebé e conter a curiosidade. É um tópico bastante delicado.
"Os homens são mesmo assim ha ha...". Isto que se segue varia bastante de região para região e até entre classes sociais, mas pelo menos em Estocolmo (a Meca do politicamente correcto), discutir diferenças entre os sexos é tabu e meio. A Suécia é um dos países do mundo que mais progresso fez no que diz respeito à igualdade de direitos entre homens e mulheres (boa!), mas o feminismo continua mais vivo do que nunca. Vê-se muita gente com tatuagem feminista. Fala-se de feminismo e de igualdade diariamente. No jornal, na televisão, na pausa do café, na internet. É uma discussão muito acesa e normalmente comentários sobre atributos "tipicamente" masculinos e femininos, ou à distribuição tradicional de tarefas, ou resultam em fricção ou em silêncios desconfortáveis. Eu evito simplesmente esse tipo de conversas. Sim, considero-me feminista, por acreditar e desejar a igualdade de direitos entre os sexos e tudo o que isso implica. Porque para mim é esse o significado do feminismo. Mas também sei que nem toda a gente tem a mesma definição, e que tudo o que se diz tem potencial para ser mal interpretado. E também sei que, por ser do Sul da Europa, muitas vezes a gente parte do princípio que eu não estou sensibilizada para questões de desigualdade entre os sexos - o que também contribui para más interpretações. O melhor é falar do Ronaldo mesmo. Ou das ondas da Nazaré!


