quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Com o Outono vem sempre a vontade de escrever


É o Outono e o facto de a Luisinha ter começado a fazer sestas mais longas do que o costume, um par de vezes por semana (normalmente faz sestas de 35 minutos). Tanta é a euforia quando ela dorme um bocadinho mais, que num momento de delírio até me inscrevi num curso de Psicologia Positiva (à distância mas organizado por uma das universidades do reino) com início em Janeiro. Enviem ajuda. 

terça-feira, 30 de julho de 2019

Lições da maternidade


Já passaram seis meses desde que a Luisinha, o nosso raiozinho de sol (como a avó materna lhe chama), chegou ao mundo, de olhos abertos e braço esticado como o Super Homem. As lições e aprendizagens têm sido muitas, mas a mais curiosa é talvez o facto de que até o hamster (solteiro e sem filhos) do vizinho da prima da cunhada da cabeleireira da sobrinha do amigo do padeiro Quitó tem um mestrado de como cuidar de bebés alheios. 

segunda-feira, 20 de maio de 2019

O amor (entre outras coisas) na Suécia


Há anos atrás (literalmente) eu prometi um post sobre a "dating culture" na Suécia. A sério! Foi antes de os meus dias consistirem em trocas de fraldas, passeios de carrinho e encontros de mamãs e bebés. As oportunidades de fazer observações antropológicas não são muitas hoje em dia... Mas o tema não deixa de ser interessante e se procurarem no Google vão encontrar montes de artigos sobre ele porque o "dating" aqui na Suécia não deixa de ser algo sui generis. Aqui vai:

Pagar pelo café
Cada um paga o seu. Não há aquela coisa de o homem pagar a conta,  porque poderá ser interpretado como um gesto machista. A mesma coisa se aplica a abrir as portas e outros gestos de cavalheirismo. Há Suecos que ainda assim se comportam como cavalheiros, mas normalmente são os que já viveram no estrangeiro e adoptaram novos hábitos.

Fika
E por falar em café, o "ritual" mais comum quando se está interessado em alguém é a fika, ou seja, ir tomar um café (e um bolinho, mas nem sempre). Ir jantar é normalmente considerado como algo mais formal, algo para casais "a sério". 

Imagem daqui

Tomar iniciativa
O melhor é não ficar à espera que um Sueco demonstre interesse ou tome a iniciativa de convidar para uma fika. Aqui as mulheres tomam iniciativa, tanto ou mais que os homens. 

Knullkompis, ou KK
É a equivalência Sueca ao "amigo colorido", mas sem eufemismos. Knull vem do verbo knulla, que significa… hmm… o ritual de acasalamento ;) Kompis significa amigo/a. 

SMS, muitas SMS
A comunicação é feita por SMS ou, para os mais jovens, por "snaps". E convém não responder demasiado rapidamente, nem demonstrar demasiado interesse.

Os... rituais de acasalamento
Não há aquela noção que se vê nos filmes americanos do "Oh não! Dormimos juntos antes do terceiro encontro e agora ele/ela vê-me apenas como amigo/a colorido/a ou pior".

Apresentar à família
Os Suecos são capazes de apresentar a miúda que conheceram no bar no Sábado à noite e que levaram para casa às 03:00 aos pais no dia seguinte, se for preciso. Apresentar à família não significa que a relação é séria. 

Noivado
O noivado à Sueca não é sinónimo de surpresas românticas. Normalmente os casais decidem que querem ser noivos, vão comprar anéis de noivado (simples e idênticos) juntos e depois organizam um "lanche de noivado" para a família mais próxima, onde se comemora o noivado. Ficar noivo é muitas vezes o objectivo em si e não um passo na direcção do casamento. Há casais que são noivos há mais de vinte anos.

O casamento
Os casamentos são normalmente pequenos, modestos e informais. O preço por pessoa é muito elevado e é o casal que paga pela boda na íntegra (já mencionei que é um povo muito independente? tema para novo post), por isso o número de convidados é limitado. Não convidam parentes afastados apenas por fazerem parte da família, não convidam colegas de trabalho, não convidam amigos dos pais, vizinhos etc. Muitos pedem para as pessoas não trazerem crianças, mas penso que por outros motivos (o consumo de álcool, ver o meu post anterior). Os trajes são bastante informais. Muitas das decorações são feitas à mão e sei de quem tenha feito buffet de comida trazida de casa.

Mas a diferença mais curiosa, penso eu, é que os pais não levam as filhas ao altar. É considerado um gesto machista, porque a filha não é "propriedade" do pai.

P.S.: Para entender a cultura Sueca há que ter em mente que é uma cultura extremamente liberal e que os Suecos dão muito valor à igualdade, o que se reflecte nos rituais de conquista, aos casamentos etc. E como em tudo o resto, é difícil descrever uma cultura sem uma dose de generalização. Há excepções à regra, obviamente. Estas são apenas as minhas humildes observações.

domingo, 12 de maio de 2019

Os Suecos e o álcool (um desabafo)


Este post também se poderia chamar "Das diferenças culturais" entre a Suécia e Portugal. No outro dia entrei numa "discussão" num grupo de mães no Facebook. Uma das mães tinha sido convidada para um baptizado no qual seriam servidas bebidas alcoólicas, penso que champanhe, o que a deixou chocada. Escreveu então um post a perguntar a opinião das demais. Recebeu dezenas de comentários - a maioria das mães concordava que é "errado", inadequado, quase imoral o consumo de bebidas alcoólicas em todos os eventos nos quais há crianças, inclusive baptizados e festas de aniversário infantis. 

Isto é algo que não me surpreendeu, afinal já estou aqui há anos largos, mas não deixa de me incomodar. Acho que é saudável para as crianças aprenderem com os adultos que é possível beber com moderação, sem se ficar embriagado. Que o álcool pode ser consumido por prazer e não com o objectivo de beber até cair. Se não forem os adultos a ensinar o consumo saudável de álcool às crianças, quem vai ensinar? Quando penso na minha infância, lembro-me de ver os adultos a beber um copo ou dois de vinho em festas e encontros, algo que sempre foi muito natural para mim. Agora que sou adulta, raramente bebo (mesmo antes de engravidar da Luisinha) e quando bebo, é em pequenas quantidades. Foi mais ou menos isto que escrevi no meu comentário, o que criou uma certa comoção. Não consegui passar a minha mensagem, de todo. 

Pensei bastante no assunto e até comentei com Noivo, que é Sueco. Falámos das diferenças entre Portugal e a Suécia no que diz respeito ao consumo de álcool. Em Portugal é normal beber um copo de vinho ao almoço/jantar no dia-a-dia. Os Suecos vêem isso quase como um sinal de alcoolismo. No entanto, acham normal beber até cair aos fins-de-semana, algo que em Portugal (penso eu) não é bem aceite, especialmente depois de passada a fase universitária. Quando bebem, bebem a sério. Todo o santo encontro de fim-de-semana é desculpa para beber e chega a ser difícil esconder uma gravidez porque desconfiam logo assim que uma pessoa pede uma bebida não-alcoólica. E chovem os comentários: "Então... Tens algo para nos contar? He he.". Comentários como "Não queres mais?", "Tens a certeza que não queres um shot?" também são muito normais. (Felizmente para mim, Noivo é mais Português do que Sueco em relação ao consumo de álcool). 

Enfim, eu teeeento ser tolerante e aceitar as diferenças culturais, integrar-me etc e tal, mas confesso que esta questão me incomoda. E o puritanismo deles, o "atirar pedras" a quem escolhe servir um copo de champanhe para celebrar um baptizado não ajuda, especialmente porque no geral têm das atitudes mais estranhas em relação ao álcool com as quais já me deparei. 

É tudo por hoje, quando voltar estarei mais bem-disposta.

segunda-feira, 8 de abril de 2019

A Ana fez-me sentir que ainda faço parte do grupo das miúdas fixes


A Ana nomeou-me para responder a uma tag! Fiquei positivamente surpreendida porque hoje em dia o mais provável seria receber uma nomeação para o Prémio Blogger Fantasma do que propriamente para uma tag. Obrigada Ana! Aqui vão as minhas respostas.

1. Qual o motivo da tua maior alegria, actualmente? É sem dúvida a Luisinha, que todos os dias enche o meu coração de alegria. E se ainda por cima ela dormir bem de noite, a alegria redobra.

2. Qual o motivo da tua maior ansiedade, actualmente?
A Luisinha. Pensar que não a vou poder proteger para sempre. 

3. Como lidas com as críticas? Eu podia estar aqui a tentar formular uma resposta mas para quê, se a resposta da Ana é perfeita... "Se forem construtivas, eu fico remoendo de boa vontade. Se não, eu remoo do mesmo jeito porque eu sou uma máquina de overthinking". No entanto, tenho ficado mais "rija" com a idade. 

4. Cita duas pessoas que tu ames muito. Não quero escolher (para além da escolha óbvia, que é a minha menina) e por isso vou passar à próxima pergunta. 

5. Cita um defeito teu. Estar sempre a pensar em mil coisas ao mesmo tempo.


Achei aqui


6. Cita uma qualidade tua. Mais uma vez vou surripiar a resposta da Ana. Empatia.  

7. Poucos amigos ou muitos amigos. Sempre achei esta pergunta um pouco difícil. O que é muitos? O que é poucos? Mas penso que tenho poucas amigas próximas, e bastantes amizades mais superficiais e/ou recentes.

8. Que te faz sentir raiva de verdade. No dia-a-dia: andarem devagar à minha frente. No geral: crueldade para com bebés, idosos, sem-abrigo, animais, ou seja, para com seres vulneráveis. 

9. Doce ou salgado? Ambos.

10. Vingança ou meditação.
Não tenho tempo para nenhum deles. Mas acredito na máxima "o sucesso é a melhor vingança" porque acaba por ser das poucas formas de dar bom uso a sentimentos negativos.

11. Conta algo obscuro sobre a tua personalidade. O meu orgulho! Mas desde a adolescência que ando a tentar lidar com ele, com a idade tenho conseguido domá-lo.

12. Relembre uma surpresa boa que te fizeram. Perdi o meu cartão de identidade Sueco há uns meses e nem tinha reparado. Alguém o encontrou, procurou a minha morada e enviou pelo correio. 

13. Esta semana estarias grata pelo quê?
Pode ser uma coisa materialista? Gostava que o mercado imobiliário de Estocolmo endireitasse de vez. 

14. Um medo que assombra a tua vida... Tenho vários, e todos eles têm a ver com a minha família. 

15. Tens algum vício? Um café e um docinho depois do almoço. 

16. Fazes coleção de alguma coisa? Não. Colecções só em casa dos outros. Não gosto de coisas que só ficam a apanhar pó.

17. És sonhadora ou vives apenas o momento? Vivo muito o momento mas neste momento sonho muito em viajar com a Luisinha e mostrar-lhe o mundo "todo". 

18. És calma ou nervosa? Calma e nervosa, dependendo das circunstâncias.

19. Coisas que mudarias na tua personalidade? Ver o #5.

20. Marca 5 pessoas que gostarias que respondessem a esta tag: Que participe quem quiser :)

Tenham uma boa semana!


domingo, 31 de março de 2019

A Joana também vê coisas fixes no Netflix


Este post podia ser uma continuação deste post! O Netflix tem sido um bom companheiro nas horas que a Luisinha passa a dormir ao colo. Eis o que ando a ver.

O desaparecimento de Madeleine McCann
Haverá Português que não se lembre deste caso? Penso que a tragédia da pequena Maddie ficou gravado na nossa memória colectiva. Custou-me muito ver este documentário… Provavelmente nunca saberemos o que aconteceu, mas seja como for, é uma grande tragédia. A mim, que sou mãe "de fresco" doeu-me tudo ao ver este documentário, mas achei-o interessante porque mostra as coisas de diferentes perspectivas, episódio a episódio. Tanto, que é importante ver até ao fim para se ficar com uma imagem o mais completa possível.

Marie Kondo - a magia da arrumação
A Marie Kondo quase dispensa apresentações. Penso que o documentário é uma versão bastante light do livro mas não deixa de inspirar o pessoal a desapegar e organizar!

E vocês o que me recomendam?


segunda-feira, 18 de março de 2019

Jantarada à Sueca


Os Suecos adoram fazer jantaradas e lanches em casa para os amigos. Comer fora é caro e perdi conta às vezes que já dei comigo a pagar 9 € por um café e um bolo. 12 - 15 € por um copo de vinho. 7 - 9 € por uma cerveja. 25 - 30 € por um prato principal (cardápio de jantar, o almoço costuma ficar por menos). Ficar em casa faz todo o sentido tendo em conta a equação, portanto, e até é agradável. Agora o hábito de fazerem jantares às 18:00 é outra história. O meu record pessoal foi um convite para as 17:30. Então não sabem que uma cidadã precisa de uma siesta, um banho e uma sessão de andar a pastar no face ou inutilidades equivalentes depois do trabalho?

P.S.: E na eventualidade de receberem um convite para jantar, não se esqueçam de levar um presente!

P.S. 2: Não, ainda não regressei ao trabalho (nem tenho ido a jantaradas ultimamente). No total fico um ano em casa com a Luisinha.